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05/10/2026

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Christiane F.: o que aconteceu com ela?

Christiane F., Christiane Vera Felscherinow, em sua vida adulta
Para muita gente, a história de Christiane F. termina onde termina Eu, Christiane F. – 13 Anos, Drogada e Prostituída: depois da heroína, da prostituição na estação Bahnhof Zoo e da morte de alguns de seus amigos, Christiane é enviada para longe de Berlim na tentativa de se livrar definitivamente das drogas.

Mas Christiane tinha apenas 15 anos quando sua história começou a ser conhecida pelo público. Quando o livro Wir Kinder vom Bahnhof Zoo foi publicado na Alemanha, em 1978, praticamente toda a sua vida adulta ainda estava por acontecer.

E aconteceu muita coisa.

Nas décadas seguintes, Christiane Felscherinow viveu entre diferentes cidades e países, participou do meio artístico e musical de Berlim, enfrentou novas recaídas, passou um período na prisão, viveu durante anos na Grécia, tornou-se mãe e, mais de três décadas depois do livro que a tornou mundialmente conhecida, decidiu contar o restante da história.

Então, afinal, o que aconteceu com Christiane F. depois de Bahnhof Zoo? E o que sabemos sobre ela hoje? Abaixo, algumas imagens dela em 1981, três anos após o lançamento do livro:

Christiane F. depois dos anos de Bahnhof Zoo
Christiane Vera Felscherinow em sua vida adulta
Christiane F. depois do sucesso de Wir Kinder vom Bahnhof Zoo




A história de Christiane F. não terminou quando ela deixou Berlim

No final de Eu, Christiane F., existe uma sensação de encerramento. Depois de várias tentativas fracassadas de abandonar a heroína, Christiane é afastada de Berlim e da cena de drogas que fazia parte de sua vida cotidiana.

Na vida real, porém, não existiu um final simples.

Christiane conseguiu passar períodos longe da heroína, mas sua vida adulta foi marcada por um ciclo muito mais complicado de estabilidade, recaídas e novas tentativas de reconstrução.

Ao mesmo tempo, a publicação do livro transformou uma adolescente que até então era praticamente desconhecida em Christiane F., um nome reconhecido muito além da Alemanha.

A situação se tornou ainda maior com o lançamento, em 1981, do filme Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo. Sua história passou a pertencer também à cultura popular — algo de que Christiane jamais conseguiria se separar completamente.

Christiane F., autora de Mein zweites Leben




Christiane F. nos anos 1980

A vida de Christiane nos anos seguintes foi muito diferente da imagem congelada da adolescente que ficou conhecida através do livro e do filme.

Christiane F. nos anos 1980
Christiane Felscherinow no início de sua vida adulta
Ela circulou pelo cenário alternativo alemão, conviveu com artistas e músicos e tentou construir uma identidade própria dentro daquele ambiente. Por alguns anos, Christiane não foi apenas a garota cuja história havia se transformado em livro e filme: ela também participou ativamente da cena underground do início dos anos 1980, experimentando trabalhos ligados à música e ao cinema.

No cinema, apareceu em Neonstadt, de 1981, filme alemão em episódios sobre jovens e a vida urbana, e posteriormente em Decoder, produção experimental ligada à contracultura e à cena musical industrial. O filme reuniu nomes como FM Einheit, Genesis P-Orridge e William S. Burroughs e se tornou uma obra cult daquele universo artístico.

Essa fase ajuda a mostrar uma Christiane bem diferente daquela eternizada nas fotografias de Bahnhof Zoo. Já adulta, ela circulava por uma Berlim alternativa em que música, performance, cinema independente e experimentação artística se misturavam — um ambiente no qual sua história pessoal era apenas uma parte de uma identidade que ela ainda tentava construir.

Christiane F. no filme experimental Decoder
Christiane Felscherinow em Decoder
Christiane F. no filme Neonstadt
Christiane Felscherinow em cena no filme Neonstadt
Christiane F. no período de Neonstadt e da cena artística dos anos 1980
Foi também nesse ambiente que a música ganhou um espaço maior em sua vida. No início dos anos 1980, Christiane se relacionou com Alexander Hacke, músico ligado à cena experimental de Berlim e integrante do Einstürzende Neubauten. Juntos, os dois formaram o projeto Sentimentale Jugend.

O Sentimentale Jugend fazia parte de uma cena muito distante do pop convencional. Christiane participou do projeto cantando e tocando guitarra, enquanto Hacke trabalhava com voz, instrumentos e programação. Em setembro de 1981, os dois chegaram a se apresentar no Festival Genialer Dilletanten, em Berlim, encontro que se tornaria uma referência da cultura underground alemã daquele período.

A passagem pelo Sentimentale Jugend é especialmente interessante porque mostra Christiane tentando ocupar um espaço artístico por conta própria. Para quem a conhece apenas pelo livro e pelo filme, é fácil esquecer que, no começo dos anos 1980, ela também fazia parte de uma rede de músicos, cineastas e artistas experimentais que ajudou a definir uma face muito particular de Berlim Ocidental.

Christiane F. no projeto musical Sentimentale Jugend


A experiência musical não terminou com o Sentimentale Jugend. Em 1982, Christiane também lançou gravações em seu próprio nome e sob o nome artístico Christiana.

Entre esses trabalhos estão os maxi-singles Gesundheit! e Final Church. Gesundheit!, creditado a Christiane F., inclui Wunderbar e Heimweh. Já Final Church, lançado como Christiana, traz Süchtig, Spinnen e Health Dub. As gravações dialogam com a Neue Deutsche Welle, o synth e o experimentalismo industrial que circulavam pela cena alemã do início daquela década.

Alexander Hacke e outros músicos ligados àquele circuito participaram dessas gravações. Por isso, Sentimentale Jugend, Gesundheit! e Final Church não são apenas curiosidades na biografia de Christiane: eles ajudam a situá-la dentro da cultura alternativa da Berlim dos anos 1980, muito além da imagem pública criada por Wir Kinder vom Bahnhof Zoo.

A carreira musical foi curta, mas deixou registros que continuam circulando entre colecionadores e interessados na música experimental alemã. Futuramente, o Estação Zoo vai dedicar posts separados ao Sentimentale Jugend, ao Gesundheit! e ao Final Church, reunindo gravações, contexto e informações sobre cada projeto.

Mas os problemas com drogas continuaram fazendo parte de sua vida.

Em meados da década de 1980, Christiane enfrentou problemas com a Justiça relacionados a drogas e, em 1986, recebeu uma sentença de dez meses de prisão.

Christiane F. durante os anos 1980
Christiane Vera Felscherinow em sua vida adulta
Christiane F. após a fama de Wir Kinder vom Bahnhof Zoo
No ano seguinte, sua vida tomou outro rumo: em 1987, ela deixou a Alemanha e foi viver na Grécia, onde permaneceu até 1993.

A mudança representava mais do que uma simples troca de endereço. Depois de anos em que seu nome esteve ligado à imprensa alemã, à cena artística e também a novos problemas relacionados às drogas, viver fora da Alemanha oferecia a possibilidade de uma rotina menos diretamente conectada à personagem pública “Christiane F.”.

Foram anos importantes justamente porque pertencem a uma parte de sua biografia muito menos conhecida do grande público. A adolescente de Bahnhof Zoo já havia ficado para trás havia muito tempo, mas a fama criada por aquela história continuava acompanhando a mulher adulta.

Christiane Felscherinow durante o período em que viveu na Grécia
Christiane F. durante sua vida adulta


Era mais uma tentativa de construir uma existência distante da personagem pública que havia se formado ao redor do nome Christiane F.



Christiane F. tornou-se mãe

Depois de retornar à Alemanha, aconteceu uma das maiores mudanças de sua vida.

Em 1996, Christiane teve um filho.

Anos mais tarde, ao falar sobre essa fase, ela deixaria claro o tamanho da importância que a maternidade teve para ela. Durante muitos anos, mãe e filho viveram juntos e Christiane tentou construir uma rotina muito diferente daquela que havia conhecido durante a adolescência.

A maternidade também acrescentou uma dimensão nova à forma como Christiane passou a falar sobre a própria vida. A menina que havia crescido em meio a conflitos familiares, drogas e instabilidade agora precisava assumir o papel de mãe e tentar oferecer ao filho uma experiência diferente da sua.

Essa tentativa não apagou seus problemas anteriores nem produziu uma vida sem recaídas, mas se tornou um dos eixos mais importantes de sua história adulta — e ocuparia um espaço central quando Christiane finalmente decidiu narrar essa segunda parte de sua vida em livro.

Christiane Felscherinow com seu filho


A relação, porém, também atravessou um período extremamente difícil.

Em 2008, depois de uma tentativa de mudança para Amsterdam, autoridades alemãs intervieram e seu filho passou para os cuidados do serviço de proteção à juventude. O episódio se tornaria uma das partes mais dolorosas relatadas posteriormente por Christiane sobre sua vida adulta.

Quando voltou a falar extensamente com a imprensa em 2013, seu filho já era jovem. Christiane dizia manter contato com ele e falava sobre a relação entre os dois com evidente importância em sua vida.



Ela conseguiu abandonar as drogas?

Essa talvez seja uma das perguntas mais difíceis de responder sobre Christiane F. — justamente porque sua história não cabe facilmente em um simples “sim” ou “não”.

A dependência química continuou acompanhando diferentes períodos de sua vida.

Christiane F. em 1995


Christiane teve recaídas, passou também por longos períodos sem usar heroína e entrou em um programa de substituição com metadona.

Em entrevistas concedidas em 2013, ela dizia estar longe das drogas pesadas, embora continuasse no programa de metadona. Falava também abertamente sobre o consumo de álcool e ocasional de cannabis.

Sua trajetória adulta, portanto, desmonta uma interpretação confortável da história de Bahnhof Zoo: a de que afastar Christiane de Berlim teria produzido uma recuperação definitiva.

A realidade foi muito mais longa, irregular e difícil.

Talvez seja justamente por isso que a história de Christiane continue tão relevante. Dependência não costuma funcionar como nos filmes, com uma última cena capaz de separar claramente o “antes” e o “depois”.

Christiane F. na estação Bahnhof Zoo em Berlim
Christiane Felscherinow na Bahnhof Zoo
Christiane F. na vida real, anos depois de Wir Kinder vom Bahnhof Zoo
Christiane Vera Felscherinow em 2005
Christiane F. em 2011




O segundo livro de Christiane F.

Durante décadas, milhões de pessoas conheceram detalhadamente a adolescência de Christiane, mas sabiam relativamente pouco sobre tudo o que aconteceu depois.

Isso mudou em 2013.

Ao lado da jornalista Sonja Vukovic, Christiane publicou Mein zweites Leben — Minha Segunda Vida — uma autobiografia dedicada justamente aos anos posteriores a Wir Kinder vom Bahnhof Zoo.

Em Minha Segunda Vida, Christiane F. contou o que aconteceu depois da história que a tornou famosa: relacionamentos, drogas, viagens, maternidade, perdas, saúde e as consequências de passar praticamente toda a vida sendo reconhecida como a menina de Bahnhof Zoo.

O lançamento provocou uma nova onda de interesse internacional.

Mais de três décadas depois, Christiane voltou a conceder entrevistas e aparecer diante das câmeras. Para uma nova geração, era a oportunidade de descobrir a mulher que existia por trás da adolescente eternizada nas fotografias dos anos 1970.

O segundo livro também mudou a perspectiva da própria narrativa. Se Wir Kinder vom Bahnhof Zoo registra uma adolescência comprimida em poucos anos de acontecimentos extremos, Mein zweites Leben acompanha as consequências durante décadas. A fama, as recaídas, os relacionamentos, a maternidade e a saúde deixam de ser um epílogo e passam a formar uma história própria.

É justamente por isso que os dois livros se complementam. Um explica como Christiane F. se tornou um dos rostos mais conhecidos da história das drogas na Alemanha; o outro mostra o peso de continuar vivendo depois que aquela imagem já havia se tornado praticamente impossível de abandonar.

Christiane F. em 2013 na época de Mein zweites Leben




Os problemas de saúde de Christiane F.

Durante essa reaparição pública em 2013, Christiane também falou abertamente sobre sua saúde.

Na época, ela afirmou sofrer de uma grave cirrose hepática e falou sobre os efeitos de décadas de dependência e do tratamento com metadona.

É importante colocar essa informação em seu contexto: essas declarações foram feitas por Christiane em 2013. Não existem informações médicas públicas recentes suficientes para transformar esses relatos antigos em um diagnóstico sobre seu estado de saúde atual.

O que ficou evidente naquele período é que Christiane já encarava sua própria história de maneira muito diferente da adolescente retratada em Wir Kinder vom Bahnhof Zoo.

No texto “Christiane F.: a vida apesar de tudo”, reunimos justamente outro olhar sobre essa sobrevivência e sobre a mulher que continuou existindo depois que o mundo passou a conhecê-la apenas como “Christiane F.”.



Christiane F. se afasta novamente da vida pública

A volta aos holofotes durou pouco.

Em janeiro de 2014, poucos meses depois do lançamento de Mein zweites Leben, Christiane anunciou que estava novamente se afastando da vida pública.

A intensa atenção da imprensa havia se tornado difícil de suportar. Sua coautora, Sonja Vukovic, explicou na época que o estado de saúde de Christiane havia piorado e que era necessário livrá-la da pressão provocada pela enorme quantidade de solicitações de entrevistas e aparições públicas.

O afastamento ajuda a explicar algo que ainda hoje provoca curiosidade: por que sabemos tão pouco sobre a vida atual de Christiane F.?

Em grande parte, porque ela escolheu não continuar vivendo publicamente.

Christiane F. durante uma entrevista




O episódio de 2015 em Berlim

Isso não significou que seu nome desapareceu completamente da imprensa.

Em 2015, Christiane voltou às manchetes por um motivo bastante diferente. Uma ocorrência em Berlim terminou com acusações de que ela havia agredido um cachorro e mordido uma mulher.

O episódio recebeu atenção da imprensa alemã e rapidamente repercutiu justamente porque qualquer notícia envolvendo Christiane ainda carregava o peso de sua história.

Mas acontecimentos isolados como esse não significaram um retorno regular à mídia. Depois da divulgação de seu segundo livro e do afastamento anunciado em 2014, suas aparições públicas tornaram-se muito mais raras.

Christiane F. em Berlim em 2015
Christiane Felscherinow em 2015




Christiane F. ainda está viva?

Sim. Não há informação confiável de que Christiane Felscherinow tenha morrido.

Essa pergunta aparece com frequência porque Christiane sobreviveu a circunstâncias extremamente perigosas desde muito jovem — e porque vários personagens conhecidos através de Wir Kinder vom Bahnhof Zoo morreram ainda jovens.

Também contribui para essa dúvida o fato de ela ter praticamente desaparecido da exposição pública depois de 2014.

Isso, porém, nos leva a uma distinção importante: estar fora da imprensa não significa estar desaparecida.

Christiane simplesmente deixou de oferecer ao público o mesmo acesso à sua vida que existiu em outros momentos.

Por isso, buscas como “Christiane F. morreu?”, “Christiane F. está viva?” ou “onde está Christiane F. hoje?” frequentemente levam a informações antigas apresentadas sem contexto. Até que exista uma fonte confiável em sentido contrário, não há base para afirmar que Christiane Felscherinow tenha morrido.



Onde está Christiane F. hoje?

Aqui é necessário separar informação de especulação.

Existem reportagens, sites e textos na internet que apresentam detalhes sobre Christiane como se fossem informações atuais, embora muitas vezes estejam apenas repetindo entrevistas ou notícias publicadas muitos anos antes.

Por isso, não é correto afirmar com precisão onde Christiane vive, como está sua saúde ou como é sua rotina atual sem uma fonte recente e confiável.

O que sabemos é que, depois de passar grande parte da vida tendo seus problemas mais íntimos transformados em assunto público, Christiane optou por uma existência muito mais reservada.

Isso não significa que não tenham surgido registros posteriores. Há, por exemplo, imagens de Christiane em 2019 ao lado do músico Petra. Registros desse tipo mostram que ela não simplesmente “desapareceu”, mas são muito diferentes de uma volta regular à imprensa e não permitem reconstruir sua vida privada atual.

Christiane F. em 2019 com a musicista Petra


Por isso, fotografias ocasionais, notícias antigas republicadas e informações sem data não devem ser tratadas como um retrato de sua situação hoje. Quando não existe uma declaração recente da própria Christiane ou uma fonte jornalística confiável, o mais correto é reconhecer o limite do que realmente sabemos.

E talvez seja importante respeitar essa fronteira.

Christiane F. em 2015
Christiane F. na Bahnhof Zoo em 2015
Christiane Felscherinow em Berlim em 2015




Christiane F. depois de Christiane F.

Existe uma ironia particular na história de Christiane Felscherinow.

Aos 14 anos, ela contou sua vida a dois jornalistas porque eles estavam investigando a situação de adolescentes envolvidos com drogas em Berlim Ocidental. Aqueles depoimentos deram origem a uma reportagem, depois a um livro e finalmente a um fenômeno internacional.

A adolescente cresceu. A imagem pública, não.

Durante décadas, novas gerações continuaram encontrando a mesma Christiane nas páginas do livro: 12, 13, 14 anos; Gropiusstadt; Sound; Detlef; Bahnhof Zoo; heroína.

Enquanto isso, Christiane Felscherinow envelhecia fora daquelas páginas.

Sua vida posterior não foi uma história perfeita de recuperação, mas também não pode ser resumida às recaídas. Houve viagens, relacionamentos, experiências artísticas, períodos de estabilidade, maternidade, perdas, doenças e tentativas sucessivas de viver além da identidade que lhe foi atribuída ainda adolescente.

Quem quiser acompanhar suas próprias palavras ao longo dos anos também pode consultar nosso arquivo de entrevistas de Christiane F., que reúne diferentes momentos de sua trajetória.

No fim, talvez os dois livros contem duas metades inseparáveis da mesma história.

Eu, Christiane F. contou ao mundo como uma adolescente de Berlim se tornou Christiane F.

Mein zweites Leben mostrou algo que o primeiro livro jamais poderia contar: o que significou passar o resto da vida sendo Christiane F.

Leia mais sobre Christiane F.:
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17/11/2014

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Christiane F. anuncia afastamento da vida pública

Christiane F. durante divulgação do livro A Vida Apesar de Tudo

Apenas alguns meses após a intensa movimentação midiática provocada pela publicação de sua segunda autobiografia, Eu, Christiane F., A Vida Apesar de Tudo (título original: Mein Zweites Leben), vem a confirmação de um passo que há muito tempo se desenhava nos bastidores de sua vida pessoal: Christiane F. decidiu se retirar de forma permanente e definitiva da vida pública.

Em um comunicado emocionante publicado em seus canais oficiais de comunicação com os fãs, a eterna garota da Estação Bahnhof Zoo explicou que o estado extremamente delicado de sua saúde física, somado ao esgotamento psicológico acumulado ao longo de quase quatro décadas de exposição invasiva, a levaram a encerrar todas as aparições, entrevistas e eventos promocionais.

Desde 1978, quando os jornalistas da revista alemã Stern transformaram seus depoimentos gravados em fitas cassete em um fenômeno literário e cinematográfico sem precedentes, a vida da jovem foi devorada pelo voyeurismo global.

Christiane F. em 1978
Christiane F. em 1978


Ela foi alçada, sem jamais ter pedido, ao posto de rosto simbólico da epidemia de heroína na Europa. Esse rótulo pesado e estigmatizante a perseguiu implacavelmente por toda a vida adulta, sabotando suas tentativas de consolidação na carreira musical nos anos 1980, complicando suas relações interpessoais e destruindo qualquer possibilidade de anonimato em sua rotina diária na cidade de Berlim.



O peso sufocante do estigma e a busca pelo direito ao silêncio

Transformar-se em um mito da cultura pop sobre a decadência juvenil acabou sendo uma condenação tão sufocante para Christiane quanto a própria dependência química. Em suas declarações finais de despedida, ela manifestou profundo cansaço perante o sensacionalismo da imprensa sensacionalista, que continuava a persegui-la com câmeras em busca de imagens chocantes e deploráveis de seu envelhecimento e de seu estado de saúde debilitado.

Com o avanço severo dos sintomas da cirrose e a necessidade de tratamentos médicos contínuos para o manejo da dor, sua única prioridade passou a ser a busca por paz, dignidade e silêncio ao lado de um círculo hiperrestrito de pessoas de confiança.

Ao fechar suas plataformas e pedir o fim do assédio dos paparazzi, ela deixa um recado categórico ao mundo: não deseja mais ser tratada como uma curiosidade sociológica ou uma atração mórbida de tabloide. Cabe agora ao público e à crítica respeitarem seu recolhimento, compreendendo que sua luta mais importante pela vida prossegue de forma silenciosa, longe dos holofotes e das câmeras.

17/08/2014

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Christiane F., A Vida Apesar de Tudo: O segundo livro e o fim definitivo do mito da cura

Christiane F., A Vida Apesar de Tudo

Quando o livro autobiográfico Eu, Christiane F., 13 anos, Drogada, Prostituída... foi lançado no final dos anos 1970, o público global assimilou a narrativa através de uma lente de choque, mas também de uma falsa esperança.

O desfecho da obra original, que retratava a mudança de Christiane F. para a casa de sua avó em uma área rural da Alemanha, deixou no ar uma leve impressão de que o isolamento e o amor familiar teriam sido suficientes para selar o fim definitivo de sua espiral contra o vício.

A cultura ocidental adora histórias de reabilitação e redenção, porém a realidade nua e crua da dependência química crônica raramente se encaixa nos finais confortáveis da ficção.

Christiane F. Mein Zweites Leben
Capa alemã de Mein Zweites Leben



Com o lançamento internacional da autobiografia Christiane F. – A Vida Apesar de Tudo (publicada originalmente em alemão sob o título Mein Zweites Leben), escrita em colaboração direta com a jornalista Sonja Vukovic, essa ilusão é desmantelada de forma corajosa, dolorosa e transparente. O livro passa a limpo mais de três décadas de uma existência marcada por tentativas de normalidade, recaídas contínuas na heroína, tratamentos longos com metadona, consumo severo de álcool e uma batalha diária contra o estigma de ser a usuária de drogas mais famosa do planeta.

Ao longo das páginas, Christiane desmistifica o senso comum de que o estrondoso sucesso financeiro decorrente dos direitos autorais e da adaptação cinematográfica de 1981 resolveu sua vida. Na verdade, a fama precoce e os recursos financeiros ilimitados colocados nas mãos de uma jovem traumatizada muitas vezes serviram como um catalisador para novos ciclos de marginalização.

A obra expõe os bastidores de sua passagem por comunidades alternativas, sua vida na Grécia, a rápida estadia em Zurique e o eterno retorno a Berlim, cidade que permaneceu como sua âncora e sua prisão existencial.

Christiane F., A Vida Apesar de Tudo
Capa brasileira de Christiane F., A Vida Apesar de Tudo:




A perda da guarda do filho e o colapso irreversível da saúde

Dentre todos os episódios relatados com crudeza no livro, o eixo emocional mais devastador envolve a maternidade. Em 1996, nasceu seu filho, Jan-Niklas. Durante anos, Christiane lutou com todas as suas forças para proporcionar ao menino uma infância estável e protegida do assédio da imprensa alemã.

No entanto, em 2008, após um período de grande instabilidade pessoal e o cerco implacável dos serviços de proteção à infância, a guarda do filho foi retirada de suas mãos. Essa perda representou um golpe emocional do qual ela relata jamais ter conseguido se restabelecer, transformando-se em uma ferida aberta que agravou ainda mais seu quadro depressivo.

Somado ao colapso psicológico, o livro detalha pela primeira vez com precisão a gravidade de seu estado físico. Décadas após ter contraído o vírus da Hepatite C pelo compartilhamento de seringas nos banheiros da estação de Bahnhof Zoo durante a adolescência, a doença evoluiu para uma cirrose hepática em estágio avançado.

Acompanhada por dores crônicas e internações frequentes, Christiane confronta o leitor com a dura realidade de um corpo exausto. A Vida Apesar de Tudo não busca piedade e nem oferece lições de moral edificantes; é um testemunho histórico visceral sobre a difícil arte da sobrevivência física e mental contra todas as probabilidades.

30/07/2014

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Chegou!

Finalmente chegou minha cópia do livro "Eu, Christiane F., A Vida Apesar de Tudo". Comprei no Submarino, na pré-venda, e fiquei aproximadamente um mês esperando chegar.

Pré-venda é quando o cliente compra uma obra (livro, CD, filme, jogo, etc) que ainda não foi lançado. Por isso esperei esse tempo todo, mas quem comprar o livro agora vai esperar muito menos para receber, é claro.

Eu, Christiane F., A Vida Apesar de Tudo


Leia mais matérias sobre o livro "Eu, Christiane F., a vida apesar de tudo":
• Christiane F narra sua "2ª" vida em livro
• "Para o mundo, sempre terei 18, 16 anos"

18/07/2014

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Christiane F. conta sua segunda vida em livro

Trinta e cinco anos depois da publicação de "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..." (em alemão: "Wir kinder vom bahnhof zoo"), Christiane F. lança outro livro narrando o que aconteceu em sua vida até hoje.

A obra conta como a alemã viveu os anos após o estrondoso sucesso de seu primeiro livro e do filme baseado em sua vida e descreve como seria a tal existência de Christiane Felscherinow, que chocou o mundo e ficou conhecida por seu envolvimento precoce em drogas. Christiane F. tem hoje 51 anos e é mãe de um jovem de 17.

O novo livro, "Christiane F. Mein Zweites Leben", a ser publicado por aqui pela editora Bertrand Brasil com o título "Christiane F. A Vida Apesar de Tudo", foi escrito com ajuda de Sonja Vukovic, que fez cerca de 400 horas de entrevistas com Felscherinow e teve acesso irrestrito a seu apartamento ao longo dos últimos três anos.

Entre outros episódios, o livro narra a viagem de Christiane F. a Nova York para a estreia do filme em 1981, um show exclusivo do AC/DC que ganhou de presente, suas idas a diversos programas de televisão e seus anseios de se tornar cantora e atriz.

O livro também aborda seus problemas com as drogas, revelando que Christiane F. ficou livre do vício durante anos e depois voltou a usar heroína. Hoje ela participa de campanhas antidrogas na Alemanha.

Capa
O livro, tanto na edição alemã quanto na brasileira, traz novamente uma foto de Christiane F. na capa. No entanto, ao contrário do que vemos em "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída...", que mostra uma Christiane F. serena, porém séria, desta vez a vemos com um sorriso simpático, em expressão que nos mostra que na vida, apesar de tudo, sempre é possível superar as dificuldades e sorrir.

Christiane F. Mein Zweites Leben
Capa da edição alemã


Christiane F. A Vida Apesar de Tudo
Capa da edição brasileira


Pré-venda
O livro se encontra, no momento, em pré-venda para 25/07/2014 nas principais livrarias do país e custa de R$25 a R$30. Eu já garanti o meu no Submarino!

11/10/2013

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Christiane F. autografa livros para fãs

Christiane F. autografa livros para fãs
Pilha de livros autografados por Christiane F.


Tradução do post do dia 09 de outubro de 2013 do Blog oficial de Christiane F.:
Aqui eu autografo suas edições de fã.

Hoje estou indo para Frankfurt. Comprei uma roupa nova especialmente para o lançamento do nosso livro. Meu filho Phillip está cuidando do meu cachorro esses dias. Faz muito tempo que meu Chow Chow, Leon, e eu não ficamos separados nem por alguns dias. A última vez foi em 2008, quando fui para Amsterdã para me preparar para nossa vida na Holanda. Mas aí tudo mudou; perdi a guarda do meu menino, e Leon se tornou meu único apoio.

Mas chega de lamentar histórias antigas e tristes. Mais detalhes podem ser encontrados no livro. Está tudo bem agora. E por falar em Stern: Sonja e eu estamos muito felizes que nosso blog esteja online em stern.de!

Deixem comentários, críticas, o que quiserem. E se quiserem, assistam à minha participação na Stern TV na semana que vem. Começa às 22h15 na RTL.

Também escrevi um artigo sobre a gravação, que vocês podem encontrar aqui.

Vamos lá! Vamos começar!

Atenciosamente, Christiane

Fonte: Blog oficial de Christiane F.

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