10/09/2026

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Christiane F.: entrevista à revista Manchete em 1985

Christiane F. em entrevista à revista Stern em 1985
Em 1985, a extinta Revista Manchete publicou uma entrevista com Christiane F. Em algumas referências, dizem que a matéria foi publicada em 1984, o que não é verdade e essa informação incorreta me deu um pouco de trabalho para achar a publicação. A informação correta é edição 1731, publicada em 22 de junho de 1985.

A matéria foi uma tradução da publicação original da Revista Alemã Stern e foi publicada também em 1985 com a seguinte capa:

Christiane F. na capa da revista Stern em 1985


Edição brasileira da matéria, com uma chamada pra lá de indelicada:
Christiane F. em entrevista à revista Manchete em 1985
Christiane F. em entrevista à revista Manchete em 1985
Christiane F. em entrevista à revista Manchete em 1985
Christiane F. em entrevista à revista Manchete em 1985




Segue abaixo a transcrição da matéria:



Aos 13 anos ela era drogada e prostituída. O livro sobre sua vida foi consagrado como um libelo à sociedade. Mas a verdadeira Christiane F., 10 anos depois, é um exemplo vivo da ausência de pensamentos e de horizontes a que a droga pode levar um ser humano. Parva, imbecilizada, nesta entrevista-verdade ela é um exemplo: não pelo que diz, mas pelo que não sabe dizer.


A verdadeira história de CHRISTIANE F.

23 anos, novamente drogada, já não mais prostituída



Reportagem de Birgit Lahann | Fotos de Gerd Krug e Klaus Meyer-Andersen | Originalmente publicada na Revista Stern

O apartamento, que fica num velho prédio, tem três cômodos e pertence a Christiane Felscherinow, conhecida como Christiane F. Na sala há um sofá de couro, um colchão e um caixão preto. Num dos quartos, uma corda esticada de ponta a ponta e roupa para passar por toda a parte. O francês Bully Claude e um filhote de doberman ocupam o outro quarto, coberto de jornal e todo urinado. "É sua tentativa de transar com o cachorrinho. Volta e meia tenho de separá-los."
Christiane F. em entrevista à revista Stern em 1985

Daqui a poucos dias, Christiane F. fará 23 anos. Tornou-se o símbolo de uma geração viciada. Aos 12 tomava haxixe, aos 13 heroína e aos 14 anos entrou para o pessoal do Bahnhof Zoo (Estação Zoo), uma famosa turma da pesada de Berlim. Mas sobreviveu. Superou os sofrimentos e os vícios. A revista alemã Stern publicou a série "Nós, Crianças do Bahnhof Zoo", que se tornou um livro de sucesso, vendendo milhões de exemplares.

Depois começou a aprender contabilidade numa pequena cidade ao norte da Alemanha. Mas interrompeu o estudo. "Afinal, você só é explorado como aprendiz. Tive a impressão de já saber tudo após seis meses." Tentou ser cantora e chegou a participar de um filme ruim para se autopromover, fazendo o papel de uma go-go girl. E depois viajou sem rumo pelo mundo. Quando filmaram o roteiro sobre sua vida, trabalhou como conselheira. E o filme também se tornou um sucesso, rendendo milhões de marcos.

Depois não se ouviu mais falar dela, até que há um ano foi presa durante uma revista no apartamento de um traficante de heroína. E foi acusada de "aquisição de heroína para uso próprio". Na semana passada, foi a julgamento.

— Christiane, você foi condenada a uma multa de três mil marcos alemães por ter sido apanhada com heroína. O julgamento a surpreendeu?
— Não, eu já sabia. O juiz e os advogados já sabem de antemão qual será o resultado.

— O seu advogado levou um sósia ao tribunal para que você não fosse reconhecida. Você entrou logo em seguida...
— E como eles caíram sobre a gente. Eu me aborreci mais com os jornalistas. Ali a pessoa é apenas uma mercadoria.

— Você declarou no tribunal que jamais tomaria heroína de novo, que teria sido a última vez...
— Você pode ver pelo que eles escreveram. Eu não disse isso. Não posso saber isso agora e passarei por ridícula se acontecer novamente. E então surge outro escândalo, mas aí não fico mais na Alemanha, vou embora.

— E para onde você quer ir, então?
— Ah, talvez a Itália.

— E por que a Itália?
— Lá a vida é muito alegre, todos falam ao mesmo tempo e isso me diverte muito.
Christiane F. em entrevista à revista Stern em 1985

— Por que você teve esta recaída?
— Não sei. Foi o acaso. Quando a gente conhece a sensação que se tem com a heroína, nunca se esquece. É tão boa...

— E acaba em catástrofe. Você já passou por tudo isso: dependência, arranjar dinheiro, roubo, prostituição. E dois de seus amigos morreram por causa da heroína.
— Prostituição foi a pior das coisas e essa nunca mais farei. Afinal, agora também já estou mais velha.

— Mesmo assim você se deixou levar...
— Bem, preferi tomar heroína a beber álcool. Não há droga pior do que o álcool. Mesmo os viciados em heroína não se arrasam tanto quanto os alcoólatras.

— Mas com heroína a descida é mais rápida.
— Bem, a minha recaída não me fez mal. Não me alterei socialmente.

— Mas você voltou a ser um caso de polícia.
— Ah, os policiais. Os que nos levaram presos eram da minha idade. Eram horrivelmente malcriados. Nos prenderam com algemas como cães presos às correntes. E não podíamos conversar. E nos arrancaram os maços de cigarro.

— E enquanto isso revistaram o apartamento do traficante?
— Não. Fizeram isso enquanto estávamos fora. Lá dentro eles precisam de muita calma para jogar tudo no chão. Eles desarrumaram tudo.

— Isto foi há exatamente um ano. Desde então você não se viu novamente tentada?
— Não, já saí dessa.

— Já esteve no Bahnhof Zoo?
— Bahnhof Zoo é um lugar muito querido. A cena muda constantemente. Bahnhof Zoo está em toda parte. Naquela época éramos nós que estávamos lá e depois mais ninguém. Não tenho vontade de chorar quando passo por lá.

— Você foi uma espécie de Joana d'Arc do cenário das drogas nos anos 80. Você sobreviveu e superou. Nunca sentiu necessidade de ajudar os viciados?
— Não, nunca me senti responsável pelos outros. Cada um deve saber o que está fazendo.

— Você nunca se viu como um ídolo, como símbolo de esperança para os desesperados?
— Eu achava sempre engraçado ler isso nos jornais. Nunca me senti como ídolo. Aquela era outra pessoa.

— Esta pessoa, a famosa Christiane F., foi convidada do chefe da Editora Diógenes, de Zurique, durante oito semanas. Como peça de exposição na alta sociedade?
— Eu já me sentia aceita. Anna Keel, esposa de Daniel Keel, dono da editora, me telefonara em Berlim me convidando para ir a Zurique. Após um ano, fui para lá. Eles me trataram como a uma filha. Não faltou muito para que eu os chamasse de mamãe e papai.

— E papai e mamãe também pediram algo a você?
— Os dois filhos recebem sempre um programa cultural do qual eu também devia participar.

— Como é que devia? Isso era controlado?
— Sim, durante o jantar.

— E como era o programa?
— Já começou em Berlim, quando Anna me apanhou. Então tive de ir com ela assistir à peça de Tchekov, "As Três Irmãs". E foi muito legal. O cenário tinha árvores de verdade. Durou quatro horas...

— E em Zurique?
— Lá eu também tinha de ir ao teatro. Deveria assistir a algo tipicamente suíço. Mas era falado em alemão. Fui ver a farsa "A Loucura Nua". Horrível. Era um cenário de várias portas, por onde as pessoas viviam entrando e saindo. Tchekov pelo menos era um tipo alegre. Isso eu sei porque tenho livros dele.

Christiane F. em entrevista à revista Stern em 1985
Aos 23 anos, Christiane F., com o corpo de uma colegial e o rosto que não revela todos os sofrimentos vividos, deplora a prostituição e diz que foi a pior coisa por que passou. Não quer repeti-la. Até porque, segundo ela, já está velha.



— E o que mais constava do programa cultural suíço?
— Bem, estivemos em Roma e conhecemos o Fellini. Nós o vimos filmando e depois almoçamos em Cinecittà.

— E em que língua conversavam?
— Em inglês. Mas gostaria muito de aprender italiano.

— E por que não aprende?
— Não tenho tempo.

— Não tem tempo? Mas você nem trabalha. Deveria ter bastante tempo para estudar.
— Eu deveria pensar nisso. Mas estudar sozinha em casa é que não dá. Eu preciso sempre de alguém que me puxe. Sou preguiçosa.

— Em Zurique você também conheceu o famoso escritor Friedrich Duerrenmatt?
— Eu não queria conhecê-lo. Eu o detesto por causa das leituras na escola.

— Quantas vezes você leu seu livro Christiane F.?
— Talvez umas três vezes. Sempre tentava fazer como se não fosse eu aquela ali. Também queria saber por que os outros gostavam tanto do livro.

— E quais os outros livros de que gosta?
— O "Grosskotz", de Mathias Nolte. E "Cream Train", de Andrea Carlo. São os meus preferidos.

— Agora você está novamente em Berlim, sem o apoio da família. Mas também não vive sozinha. Trouxe um amigo de Zurique, um palestino de Israel.
— Samir vai embora daqui a pouco. Para mim ainda é difícil encontrar um companheiro. A maioria se deixa tiranizar por mim. Quando eles começam a fazer o que eu gostaria, então não os respeito mais. E além disso, veja este aqui. Fuma quatro maços de cigarro por dia. Impossível. Eu já fumo quatro maços de cigarro. Isso é demais. E me irrita muito quando alguém faz a barba, deixando a água escorrer pela torneira, pois isso é desperdício. Ou quando alguém usa meia garrafa de detergente para lavar uma xícara. Os produtos de limpeza da casa poluem o meio ambiente tanto quanto a indústria.

Christiane F. em entrevista à revista Stern em 1985


— Você agora é uma verde?
— Infelizmente, os verdes não são profissionais, pois brigam entre si. Além do mais, assusta qualquer um quando surge um barbudo.

— Preceitos bem pequeno-burgueses...
— Mas deste jeito eles não conseguem votos suficientes.

— Você já discutiu com os verdes?
— Não, detesto discussões.

— O que é mais interessante do que discutir?
— Assistir à televisão, de preferência deitada na cama. Não aguento ler jornal. Na música, nada me interessa. Se todos vão para Tina Turner, não tenho que ir também. Prefiro grupos amadores.

— Ouve com walkman?
— Ele foi roubado, como tudo. Fui roubada por uma amiga. Cristina. Ela levou tudo. Cosméticos, roupas, xícaras e pratos e 700 marcos alemães. Também não gostaria mais de ter dinheiro. Não sei lidar com dinheiro, sou muito boa. Vivo no mundo errado, com amigos errados. Mas não posso mudar nada.

— Não tem ninguém a quem pudesse recorrer, se não estivesse bem?
— Não.

— E sua mãe?
— Não sei o que dizer à minha mãe.

— Você não está aborrecida por ter interrompido os estudos?
— Não. O Daniel Keel também interrompeu. Estudo está fora de moda. Aprende-se tudo em seis meses e depois a gente é explorada.

— Você é pelo menos tão antiquada a ponto de cozinhar para si?
— Não sei cozinhar e, se não tiver nada pronto, não como.

— Existe algum tipo de mulher que você gostaria de ser?
— (Longa pausa). Eu acho que também não sou ruim.

— Então você não tem planos?
— Quando faço planos e eles fracassam, fico deprimida. Por isso não tenho desejos nem sonhos.

— Como você imagina o amanhã?
— Não marco nada com ninguém com prazo maior do que uma semana.

— E as férias?
— Quando quero viajar, então compro a passagem e vou.

— Então você acabou de vir da tranqüila vida familiar na Suíça de volta à terrível Alemanha...
— Quando viemos de Zurique, tivemos que fazer baldeação em Hanover. Estava usando um costume rosa e um pano vermelho e puxava o carrinho das malas. Todos pareciam embasbacados.

— ... da Christiane, da oprimida...
— E eu fiquei furiosa e meu amigo dizia para eu tirar o pano. Mas me recusei, pois quero que as pessoas fiquem ainda mais abobadas.

— E o que fazer para conseguir isso?
— Levei muito tempo tentando esclarecê-las. Acabei desistindo. E, quando cismo, tento bestificá-las, o que elas aceitam passivamente. Não gosto mais das pessoas.

— Mas também não gosta de ficar sozinha.
— Eu odeio isso. Quando meu amigo voltar para Israel, me ligo para alguém vir para cá morar comigo.

— Medo da solidão? Ou de que mais?
— Bem, tenho um trauma de trens. Sempre penso que quando morrer será sob um trem.

Christiane F. em entrevista à revista Stern em 1985
O FUTURO, PARA CHRISTIANE, TEM NO MÁXIMO UMA SEMANA DE DURAÇÃO
No pequeno apartamento, o caótico ambiente em que um caixão é utilizado à guisa de armário, e Bruce Lee, como Kung-Fu, um dos ídolos cultuados.



— Você ganhou muito dinheiro com seu livro e comprou este apartamento. Onde ficou o resto do dinheiro? E quanto há aqui no caixão?
— Não, aí tenho todas as minhas contas.

— Então está dura no momento?
— Estou falida. Tenho de pagar 65% de imposto...

— ... o que você esqueceu de fazer.
— E quando entra dinheiro eles retiram logo para a receita. Até meu telefone está interceptado. Não paguei o condomínio e outras coisas...

Documento de Christiane F.
A identidade de uma menina/mulher que o mundo conhece pelo avesso: Vera Christiane Felscherinow.



— E como quer ganhar dinheiro no futuro?
— Não posso imaginar que trabalhar seja um prazer. Eu me sinto sempre muito mal quando alguém me pergunta em que trabalho. Como as pessoas olham sem compreensão quando a gente diz que não trabalha. Não conseguem entender que amigos vivem de amigos. Provavelmente ainda não estou madura o suficiente para saber o que quero.

— Mas o que você gostaria de fazer?
— Eu gostaria mesmo é de ter um asilo particular para animais. Mas meus amigos são contra. Dizem que não devo jogar minha inteligência fora em algo assim. Eu deveria fazer algo que mudasse o mundo.

25/01/2016

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Gucci: campanha inspirada no filme Christiane F.

Em 2016, a Gucci apresentou uma campanha de moda que chamou a atenção de quem conhece o filme “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída...”.

À primeira vista, algumas das imagens podem parecer apenas uma campanha de moda com uma estética vintage, mas as referências ao filme são numerosas — e algumas delas são tão específicas que dificilmente parecem coincidência.




Uma campanha inspirada em Christiane F.


A campanha da Gucci, criada durante a direção criativa de Alessandro Michele, recupera elementos visuais associados ao filme de 1981, dirigido por Uli Edel.

A inspiração aparece não apenas nas roupas, mas principalmente na atmosfera das fotografias: os cabelos vermelhos, os ambientes decadentes, os azulejos, os corredores, as poses e até determinadas situações reproduzem ou lembram cenas bastante conhecidas do filme.



Uma das referências mais evidentes aparece nas imagens que lembram a sequência em que Christiane e seus amigos correm por um centro comercial depois de quebrarem a vidraça de um guichê e roubarem o dinheiro da caixa registradora.

A sequência é acompanhada por “Heroes”, de David Bowie, e termina no terraço do edifício, ao amanhecer.




A maneira desajeitada como os personagens correm, os cabelos compridos e de um vermelho desbotado exatamente como os de Natja Brunkhorst no filme... e toda a atmosfera da cena encontram um paralelo bastante curioso na campanha da Gucci.



A cena do terraço ao amanhecer


Uma das imagens da campanha reproduz especialmente bem a atmosfera da cena do terraço.



No filme, depois da fuga, Christiane e seus amigos chegam ao terraço enquanto a noite começa a dar lugar ao amanhecer.

É uma das imagens mais marcantes de “Christiane F.” e também uma das que melhor representam a estética berlinense que o filme ajudou a transformar em referência cultural.



A cena do banheiro


As referências não ficam restritas à sequência da fuga.

Outra comparação interessante aparece nas imagens que lembram o banheiro onde Christiane injeta heroína pela primeira vez.



No filme, o momento é particularmente importante porque representa a passagem de Christiane de uma experiência inicialmente experimental com as drogas para uma dependência cada vez mais profunda.

A fotografia da Gucci recupera elementos visuais da cena, especialmente a composição da personagem que parece meio triste ou atordoada dentro do espaço.



O ponto de ônibus


Outra fotografia da campanha também lembra uma cena bastante conhecida do filme: o ponto de ônibus.



Mais uma vez, não é apenas a roupa que aproxima as duas imagens. A composição da fotografia e o ambiente contribuem para criar uma associação imediata com Christiane F. O ônibus é idêntico!



Dentro da Bahnhof Zoo


A campanha também levou suas modelos para ambientes que remetem diretamente à Berlim retratada no filme.

Esta fotografia foi feita dentro da Estação Zoologischer Garten, conhecida simplesmente como Bahnhof Zoo — o local que deu nome ao livro e ao filme.



A estação ocupa um lugar central na história de Christiane F. e de seus amigos. Durante os anos 1970, a região ao redor da Bahnhof Zoo tornou-se associada à cena de drogas da Berlim Ocidental e às histórias retratadas posteriormente no livro “Wir Kinder vom Bahnhof Zoo”.

Uma das paredes fotografadas na campanha da Gucci lembra particularmente uma das locações do filme:



Outra comparação curiosa aparece nesta fotografia: a pose da modelo, de costas para o corrimão, me remete a esta foto da Catherine Schabeck, a Stella, amiga de Christiane.



A fotografia original de Stella foi tirada em 1978, durante o período em que a história de Christiane F. começou a ganhar atenção pública.

A semelhança não está necessariamente em uma reprodução exata da fotografia, mas na maneira como a modelo ocupa o espaço e na composição da imagem.



A jaqueta de Christiane F.


E talvez uma das referências mais fáceis de reconhecer esteja nas roupas.

A modelo russa Polina Oganicheva aparece usando uma jaqueta muito semelhante àquela usada por Natja Brunckhorst no papel de Christiane.



A roupa faz com que a referência ao filme fique ainda mais evidente.



Christiane F. encontra a Gucci


A campanha é um exemplo curioso de como a imagem criada pelo filme “Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo” ultrapassou o cinema e passou a fazer parte do imaginário visual da cultura pop.

A Gucci não comentou formalmente as comparações diretas, mas especialistas do setor e relatos apontaram que a marca pretendia usar Berlim apenas como um cenário cru, nostálgico e hedonista para capturar uma estética jovem e ousada da cultura pop dos anos 80, em vez de fazer qualquer declaração sobre narcóticos.

Décadas depois da estreia do filme, elementos associados a Christiane F. — os cabelos vermelhos, a Berlim decadente, a Bahnhof Zoo, os clubes, os azulejos, as roupas e a atmosfera da juventude berlinense dos anos 1970 — continuavam sendo reconhecidos o suficiente para servir de inspiração a uma das maiores casas de moda do mundo.

Para quem conhece o filme, algumas das fotografias da campanha parecem quase pequenas recriações de cenas que já vimos na tela.

E talvez essa seja justamente a parte mais interessante: mais de 30 anos depois de Natja Brunckhorst correr pelas ruas de Berlim como Christiane F., a personagem continuava influenciando a moda.

Christiane F. na Gucci. Quem diria?

22/07/2015

Christiane F agride cachorro e morde mulher em Berlim

Christiane Felscherinow, conhecida mundialmente como Christiane F., voltou a aparecer nas páginas dos jornais alemães por causa de um incidente ocorrido em Hermannplatz, no bairro de Neukölln, em Berlim.

Segundo uma reportagem publicada pelo jornal alemão B.Z., a polícia abriu uma investigação contra Christiane F. após uma mulher afirmar que havia presenciado uma agressão contra seu cachorro.



O que aconteceu em Hermannplatz?


De acordo com a ocorrência divulgada pelo B.Z., o episódio aconteceu na tarde de 20 de julho de 2015, por volta das 16h25.

Uma mulher de 48 anos teria visto Christiane F. batendo em seu cachorro com a guia. Ela decidiu intervir e chamou a polícia.

Quando Christiane tentou deixar Hermannplatz, a testemunha teria se colocado em seu caminho. Foi então que a situação acabou se tornando ainda mais agressiva.

Segundo o relato policial divulgado pelo jornal, Christiane teria mordido a mão da mulher e dirigido a ela comentários de caráter xenófobo.

Um porta-voz da polícia de Berlim confirmou o incidente ao jornal B.Z.



Christiane F. teria admitido as acusações


Segundo o B.Z., Christiane F. teria admitido as acusações feitas contra ela diante dos policiais.

Depois que sua identidade foi confirmada e seus dados pessoais foram registrados, ela foi liberada e pôde deixar o local.

Portanto, apesar de algumas manchetes da imprensa estrangeira terem usado o termo "presa" ou "detida", o relato original do B.Z. descreve uma situação diferente: Christiane foi abordada pela polícia, identificada e liberada, enquanto uma investigação criminal era aberta.



Quais são as acusações contra Christiane F.?


Segundo o B.Z., a polícia investigava Christiane F. por:

- lesão corporal perigosa (gefährliche Körperverletzung);
- violação da legislação de proteção aos animais;
- Beleidigung, termo alemão que, nesse contexto, corresponde a uma acusação de ofensa/injúria.

O caso, portanto, envolvia tanto a suposta agressão ao cachorro quanto o confronto posterior com a testemunha.



Christiane F. e a história que a tornou famosa


Para quem conheceu Christiane F. através do livro e do filme, este lamentável episódio de agressão acontece quase quatro décadas depois de sua história ter se tornado conhecida mundialmente.

Em 1978, foi publicado Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, livro baseado na história de Christiane Felscherinow e em suas experiências com as drogas e a prostituição juvenil em Berlim Ocidental.

A obra foi adaptada para o cinema em 1981, no filme dirigido por Uli Edel, Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo.

Desde então, Christiane F. passou a ser uma das figuras mais conhecidas quando se fala sobre a cena das drogas em Berlim Ocidental durante os anos 1970.


Fonte: BZ Berlin

05/09/2014

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Christiane F. e suas amigas: Babsi e Stella

Christiane F. (à esquerda) e duas meninas, provavelmente Stella (no meio) e Babsi (a loira). Uma foto bem antiga de seus tempos de prostituição, pois pouco tempo depois Babsi viria a falecer, vítima de uma overdose fatal.

15/08/2014

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O (ex) maior traficante de heroína do mundo inteiro



Na época em que Suleyman Ergun tinha seus 21 anos, ele era o mais prolífico e poderoso vendedor de heroína do mundo. Conhecido em todas as comunidades de drogados e pela polícia como o Turco da região norte de Londres, Ergun e sua gangue abasteceram a Inglaterra e a Europa com a droga por cinco anos.

O ex-trabalhador de fábrica tinha mansões cheias de dinheiro e prestígio ilimitado no submundo. No auge ele era um multimilionário e sua bebida favorita era uma garrafa de champanhe com oito gramas de cocaína dentro. Hoje, ele não tem mais um puto e mora com a mãe. Ele tem 39 anos. O que aconteceu?

VICE: Me conta alguma coisa que você lembra dos seus dias de traficante.
Suleyman Ergun: Não tem sensação igual a ter 100 quilos de heroína no porta-malas do seu carro. Só de estar perto, de sentir o cheiro. Dirigir a mais de 200 km/h em algum lugar da França e pensar: “Eu sei o que tenho no carro”. A polícia parando perto de você. Uma arma debaixo do banco. Você não pensaria duas vezes antes de atirar neles. Se arriscando mesmo. No final das contas foi por isso que virei traficante. Não pelo dinheiro ou pelo poder, mas pela emoção.

Você teve que fazer algum estágio no submundo?
Quando tinha 15 anos eu era um moleque de recados trabalhando no comércio turco na região norte de Londres. Eu ganhava umas 70 libras por semana. Com 17 comecei a vender cocaína, ecstasy e maconha, e ganhava 1.000 libras por semana. Aí consegui trazer alguns quilos de cocaína direto da Colômbia e vendia nos clubes, junto com comprimidos. Um cara tentou me roubar no banheiro do Camden Palace uma vez e eu atirei na perna dele.

Como você foi de um cara que vende pó no banheiro do Camden para rei de toda a heroína da Europa?
Eu, meu ex-cunhado Yilmaz Kaya e um babas [chefões] de Istambul chamado Vulcan fundamos a Conexão Turca, uma rede que contrabandeia heroína do Afeganistão pela Turquia até a Europa. Até o começo dos anos 90, os turcos traziam a droga em pequenas parcelas. Um imigrante trazia uns dez pacotes, vendia, comprava uma loja em Green Lane e embalava a coisa lá. Fomos os primeiros a trazer cargas de 100 quilos. Trazíamos um monte, vendíamos barato...

É fácil assim, é?
Não, isso é só a oferta. Do lado da demanda, nós demos a volta em todos os gangsteres comuns e nas famílias do crime de Londres. Fodemos com a família Adams quando eles pediram pra gente trabalhar pra eles. Ao invés disso, mandamos tudo para um distribuidor de Liverpool que vendeu o lote inteiro.

E o que você fazia?
Eu colocava a mão na massa. A carga era trazida de Istambul para Paris em, digamos, um caminhãozinho cheio de dançarinos folclóricos turcos. Eu coordenava a entrega para os liverpoolianos na França.

Aí eu dirigia até Liverpool alguns dias depois e voltava com aqueles sacos de lixo preto grandes cheios de dinheiro— 140 mil libras numa semana, 100 mil libras na próxima, 150 mil na outra e assim por diante. Aí eu contava o dinheiro, empilhava e colocava em caixas de cereal para mandar de volta pra Turquia usando como mensageiro um ex-coronel das Forças Armadas turcas disfarçado de colecionador de artigos chineses.

Depois de um tempo, conseguimos estender o mesmo sistema por toda a Europa — Espanha, Itália, Holanda e Alemanha. A gente negociava com a máfia, com todo mundo. Em certo ponto conseguimos até comprar nosso próprio petroleiro.

Onde tudo deu errado?
Um dos nosso empregados estava tendo um caso com uma mulher que era informante da polícia. Ele foi pego. A alfândega colocou a gente sob vigilância por um ano, e aí bingo. A coisa toda desmoronou em julho de 93.

Qual foi o resultado?
Quatorze anos, nove meses. A gangue toda pegou uns 123 anos.

Foi aí que você aprendeu a lição?
O caralho. Comecei a traficar na cadeia depois de dois dias, trocando heroína e pó por cartões telefônicos, comida e tabaco. Em setembro de 1995 usei heroína pela primeira vez, por tédio e curiosidade. Foi uma sensação gostosa e morna, como se alguém colocasse um cobertor elétrico em cima de você. Mas a melhor coisa é que as cadeias estão cheias de heroína, e isso faz o tempo passar bem rápido. Vinte horas com heroína é como duas horas normais. Saí dez anos depois e nem sei como cumpri a pena.

Como você conseguia heroína na cadeia?
Antes de ser pego, eu tinha cinco quilos de heroína pura vinda direto da Turquia enterrados junto com duas Berettas, uma Uzi e quatro espingardas no cemitério de St. Pancras no norte de Londres. Toda semana eu ligava pra uma garota e usava a palavra “brandy”, que era o código pra heroína, e ela ia até lá pegar. Ela desenterrava o esconderijo e pegava um pouco da droga, daí entregava pra uma segunda garota que tinha o namorado na cadeia. O negócio era colocado numa camisinha e embrulhado com náilon, ficava com um formato de consolo. Ela enfiava aquilo na boceta. Na visita, eles começavam a dar um amassos e o cara colocava a mão maliciosamente na calcinha dela, tirava o pacote e enfiava no próprio cu. De volta na cela, ele ficava com 60 gramas e eu ficava com 60 gramas.

E os carcereiros nunca descobriram?
Eu tinha um time de busca permanente no meu caso. Eles até tiravam as pilhas do meu rádio. Mas eles nunca acharam o pacote na minha cela porque eu costumava esconder na minha horta. Eu tirava o miolo de uma cebola, colocava o pacote dentro e enterrava. Quando a cebola apodrecia era só colher uma fresca. Pegava umas três gramas por dia. Vendia meio grama por um cartão telefônico ou algo assim e fumava o resto. Às vezes eu colocava o pacote na minha bunda enrolado em fita adesiva, aí se os guardas me fizessem agachar durante as buscas ele não caia.

Ninguém sentia o cheiro quando você fumava?
Desde que você não arrumasse encrenca, cortasse as pessoas ou brigasse, os guardas faziam vista grossa. Eles sabem que você está usando porque suas pupilas ficam pequenininhas e você começa a se coçar todo. Mas as autoridades deixam pra lá porque parar com a heroína pode causar vários assassinatos e eles não querem ter que lidar com isso. Sintomas de abstinência. Gente chutando as portas. As drogas nunca vão ser erradicadas da cadeia.

Quantos carcereiros corruptos você conhecia?
Uns seis. Eles me abordaram porque eu era rico. Nunca comi a comida da prisão. Eles me traziam saladas da Marks & Spencer. Numa dessas prisões o carcereiro me trazia umas cem gramas de maconha, um saco cheio de cartões telefônicos, meio pacote de tabaco, uma TV, um telefone e duas garrafas de conhaque toda semana por 500 libras a semana, mais a conta da comida. Ele piscava e dizia: “Sua caixa está debaixo da sua cama”. Aí eu pagava outro detento pra tomar conta dela. Se você não tem grana, não tem nada.

Suponho que você largou as drogas quando saiu da cadeia em 2003?
Não, ficou muito pior. Eu descobri o crack. O mundo tinha mudado tanto. Eu não conseguia atravessar a rua — o trânsito era muito rápido. Eu via as pessoas falando sozinhas com nada nas mãos e achava que elas tinham ficado loucas.

E como é o crack?
É incrível. Fodeu com a minha cabeça. Nos quatro anos seguintes fumei meio milhão de libras. Vendi meu apartamento. Minhas joias. Gastei as últimas centenas de libras que tinha guardado.

Qual foi o fundo do poço?
Meu amigo roubou uma pedra da minha mesa. Eu arrastei ele pra cozinha, cortei o mindinho dele com uma faca na tábua de carne, joguei na privada e dei descarga.

Algumas pessoas diriam que isso é meio que justiça divina — você está sendo punido por vender heroína se tornando um viciado em drogas.
Olho por olho. Eu criei milhares e milhares de viciados. Meu passado tinha voltado pra me assombrar. Fiquei deprimido e usava mais crack e mais heroína pra não pensar nisso.

Como você finalmente se livrou das drogas?
Fui me tratar na Turquia duas vezes. Uma desintoxicação onde eles te colocam pra dormir durante a abstinência. Custa 20 mil libras. Minha família pagou. Mas quando voltei pra Londres, vivia tendo recaídas. Finalmente me apaixonei. Simples assim. Nunca mais toquei numa pedra depois disso.

Você gostaria de voltar a ser um barão da heroína?
Nem em um milhão de anos, porra. Me ofereceram um milhão de libras pra começar tudo de novo. Eu podia voar pra Turquia agora, pegar uns 100 pacotes e voltar. Eu podia ter 100 mil libras em dinheiro amanhã. Tudo meu. Toda semana alguém me aborda, alguns dos maiores gangsteres do país, pra voltar aos negócios. Mas não posso.

Por quê? Você tem medo?
Vai se foder. Você quer apanhar?

Fonte: Vice

12/08/2014

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Viktor Vauthier: fotos inspiradas em Christiane F.

Encontrei na internet estas fotos inspiradas no filme "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..." No Halloween de 2009, a modelo Ella Jazz se fantasiou de Christiane F. Belo trabalho do fotógrafo francês Viktor Vauthier! Confira (clique para aumentar)!

I found online these pictures inspired by the movie "Christiane F. - We Children from Bahnhof Zoo". On 2009's Halloween, the model Ella Jazz dressed as Christiane F.. A beautiful work by the french photographer Viktor Vauthier! Check it out (click to enlarge)!



Encontre Viktor na internet / Find Viktor online:
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