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30/08/2012

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Gropiusstadt: mais fotos do bairro de Christiane F.

A portaria do edifício do Conjunto Gropius, na rua Joachim-Gottschalk-Weg, onde Christiane F. morou na infância.

Gropiusstadt de Christiane F.

• Saiba mais sobre o Conjunto Gropius
• Gropiusstadt: Placas e proibições
• Conheça o edifício e a rua Joachim-Gottschalk-Weg, onde Christiane F. viveu.
• A escola de Christiane F.

A informação que circula pela internet é de que esta seria a porta do apartamento de Christiane, no décimo primeiro andar do edifício.

Apartamento de Christiane F.

Nos anos 70, quando Christiane F. ainda morava lá, o Conjunto Gropius (Gropiusstadt) era assim:

Gropiusstadt de Christiane F.
Gropiusstadt de Christiane F.
Gropiusstadt de Christiane F.

27/08/2012

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O pai de Christiane F.: quem era Dieter Felscherinow?

Dieter Felscherinow, pai de Christiane F.
Dieter Felscherinow, pai de Christiane F., em reportagem da Spiegel TV de 1995. Durante a infância, Christiane às vezes precisava apresentá-lo a outras pessoas como “Tio Richard”.

Atualizado em 03/10/2026

Quem era o pai de Christiane F.? Antes de Sound, Bahnhof Zoo, Detlef, Babsi e da dependência de heroína que tornaria sua história conhecida em todo o mundo, Christiane Felscherinow cresceu em uma família marcada por conflitos, violência e instabilidade.

Seu pai se chamava Klaus-Dieter Felscherinow, geralmente referido apenas como Dieter Felscherinow.

No livro Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída... (Wir Kinder vom Bahnhof Zoo), Christiane descreve uma relação extremamente difícil com o pai. Ela, sua irmã mais nova, Anette Felscherinow, e sua mãe viveram alguns dos momentos mais conturbados da infância de Christiane ao lado dele.

É importante não transformar essa história em uma explicação simples para tudo o que aconteceu posteriormente com Christiane. Sua dependência teve uma combinação muito mais complexa de fatores. Mas o ambiente familiar em que ela cresceu é uma parte fundamental da história — e começa muito antes de Christiane experimentar heroína.



Quem era Dieter Felscherinow?

Nos relatos de Christiane, seu pai aparece como um homem jovem, frustrado e extremamente preocupado com a vida que gostaria de ter.

Dieter tinha ambições que frequentemente entravam em conflito com a realidade financeira da família. Dinheiro, carros, amigos, bebida e a insatisfação com a própria situação aparecem repetidamente nas lembranças da filha.

Segundo Christiane, sua mãe contribuía de maneira importante para o sustento da casa, enquanto as discussões sobre dinheiro eram frequentes.

Em um dos trechos do livro, Christiane recorda:

"(...) estava sempre dando broncas em minha mãe por ela gastar muito, quando, na verdade, era ela que nos sustentava. Às vezes ela respondia; dizia-lhe que nas bebedeiras, nas farras com as mulheres e nos gastos que ele tinha com o carro é que ia a maior parte do dinheiro. E vinha nova pancadaria."


Anos mais tarde, Christiane tentou compreender melhor o comportamento do pai:

"Somente mais tarde (...) comecei a sacar um pouco do que se passava. Simplesmente ele não tinha uma vida que correspondesse ao seu nível! A ambição o devorava, e ele sempre fracassava."


Na interpretação que Christiane fazia da situação quando escreveu sua história, Dieter parecia enxergar a família como parte daquilo que o impedia de alcançar a vida que desejava.

"(...) pôs na cabeça que minha mãe e eu, que estava no ventre de mamãe quando se casaram, éramos as responsáveis pelo seu fracasso. Dos seus sonhos, tudo o que restou foi o Porsche e alguns amigos muito faroleiros."




A violência na infância de Christiane F.

Um dos aspectos mais graves das lembranças de Christiane é a violência dentro de casa.

No livro, ela descreve agressões contra a mãe e castigos físicos sofridos por ela e pela irmã. As meninas aprenderam a observar o humor do pai e a adaptar o próprio comportamento para tentar evitar novas explosões.

Esses relatos são importantes porque mostram que a história de Christiane não começa aos 12 ou 13 anos, quando as drogas passam a ocupar um espaço cada vez maior em sua vida.

Muito antes disso, ela já descrevia medo, instabilidade e violência dentro do ambiente familiar.

Os problemas continuaram depois que a família se mudou para Berlim Ocidental, em 1968. Christiane tinha seis anos.

Depois de uma passagem inicial por Kreuzberg, a família se estabeleceu em Gropiusstadt, onde Christiane passaria uma parte importante da infância.



Por que Christiane chamava o pai de “Tio Richard”?

Talvez a lembrança mais estranha de Christiane sobre Dieter seja a história do “Tio Richard”.

Segundo Christiane, seu pai chegava ao ponto de esconder de alguns amigos e conhecidos que era casado e tinha filhos.

Quando essas pessoas estavam presentes, Christiane não deveria tratá-lo como pai.

Ela conta:

"Não somente odiava a família como ainda, pura e simplesmente, a rejeitava. Isso chegava a tal ponto que nenhum dos seus amigos deveria saber que ele era casado e pai de família. Quando os encontrávamos ou quando algum deles vinha buscá-lo em casa, devíamos chamá-lo de 'Tio Richard'. Eu, de tanto apanhar, aprendi muito bem e nunca errava: na presença de estranhos, ele era meu tio."


O detalhe do “Tio Richard” diz muito sobre a maneira como Christiane enxergava a relação do pai com a própria família: algo que, em determinadas situações, ele parecia querer esconder.



Dieter Felscherinow na Spiegel TV em 1995

Muitos anos depois da publicação de Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, Dieter Felscherinow apareceu publicamente em uma reportagem da Spiegel TV sobre Christiane.

O especial de 1995, Christiane F. – ihre Geschichte, revisitou sua trajetória anos depois de o livro e o filme terem transformado Christiane F. em um nome conhecido internacionalmente.

Dieter aparece identificado como pai de Christiane F. Sua irmã, Anette Felscherinow, também aparece no programa.

A fotografia que abre este post foi retirada dessa época e é uma das poucas imagens de Dieter Felscherinow que circulam associadas diretamente à história de Christiane.

Naquele período, pai e filha já estavam afastados havia muitos anos.

A participação de Dieter chama atenção justamente porque oferece uma rara oportunidade de ver uma pessoa que, para milhões de leitores, existia principalmente através das lembranças narradas por Christiane no livro.



Como Christiane F. falou sobre o pai anos depois

A visão de Christiane sobre o pai ganhou algumas nuances à medida que ela envelheceu.

Isso não significa que tenha negado a violência que descreveu na infância. Em entrevistas posteriores, Christiane continuou falando sobre os problemas com o álcool, o temperamento e as agressões do pai.

Ao mesmo tempo, já adulta, passou também a refletir sobre a juventude dos próprios pais e sobre as circunstâncias em que aquela família havia sido formada.

É possível compreender melhor as circunstâncias de uma pessoa sem, por isso, justificar suas atitudes — e as declarações posteriores de Christiane mostram uma tentativa de olhar para o passado com a perspectiva de alguém que já não era mais a menina que aparece nas primeiras páginas do livro.

A relação entre pai e filha, no entanto, permaneceu distante durante grande parte da vida adulta de Christiane.



A família antes de Bahnhof Zoo

Quando pensamos em Christiane F., é muito fácil começar sua história por Sound, pela heroína ou pela estação Bahnhof Zoo.

Mas Eu, Christiane F. começa muito antes.

Antes de Detlef, Babsi, Stella e da cena de drogas de Berlim Ocidental, havia uma criança crescendo dentro de uma família em crise.

Isso não significa que Dieter Felscherinow possa ser apontado como a causa da dependência da filha. A trajetória de Christiane envolveu uma combinação complexa de experiências familiares, adolescência, amizades, necessidade de pertencimento, ambiente social e a crescente disponibilidade de drogas na Berlim Ocidental dos anos 1970.

Mas conhecer o pai de Christiane F. ajuda a compreender uma parte importante do mundo em que ela cresceu — antes de sua história se tornar a história de Wir Kinder vom Bahnhof Zoo.



Saiba mais sobre a família de Christiane F.:

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24/08/2012

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Gropiusstadt: Placas e proibições

Gropiusstadt de Christiane F.
Uma das inúmeras placas de proibição do Conjunto Gropius. "Não pise na grama. Cães são proibidos". Coitadinho do Ajax...


"No conjunto Gropius aprendia-se, por assim dizer, automaticamente, a desobedecer às proibições. Aliás, tudo ou quase tudo era proibido, principalmente brincar com aquilo que era divertido. O conjunto era pontilhado de placas. Os pretensos parques que separavam os prédios eram verdadeiras florestas de placas e quase todas essas placas proibiam qualquer coisa às crianças."

"Era proibido brincar, correr, andar de bicicleta ou de patins. Em qualquer lugar onde houvesse um pouco de grama havia também placas: É PROIBIDO PISAR NA GRAMA."

Com tantas proibições, aos poucos, em nome da diversão, Christiane F. e as outras crianças adquiriram gosto por burlar as regras.

"Cada locatário tinha um boxe fechado por uma grade que não chegava até o teto (...) Era uma delícia o pavor de se encontrar escondido no escuro no meio de todas aquelas coisas ali guardadas. Além disso, tínhamos medo de ser surpreendidos por algum locatário. Sabíamos muito bem que essa brincadeira era, pelo menos, duplamente proibida. Aí a gente se divertia remexendo nos boxes à procura de coisas engraçadas: brinquedos, roupas velhas para nos fantasiarmos (...) Quando encontrávamos algo muito interessante, não devolvíamos."

"Assim, no conjunto Gropius aprendia-se, automaticamente, que tudo o que era permitido era incrivelmente chato e tudo o que era proibido, divertido."

23/08/2012

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Gropiusstadt: os conjuntos residenciais na Alemanha de Christiane F.

Gropiusstadt de Christiane F.

O resultado da industrialização acelerada pela qual a Alemanha passou da década de 50 à de 70 foi a construção de muitos conjuntos residenciais como o Gropius, para abrigar os trabalhadores. Os efeitos sociais disso podem ser compreendidos com ajuda do seguinte trecho do livro:

"Os desertos de concreto de muitas das 'zonas de saneamento' modernas encerram as pessoas em um ambiente totalmente artificial, frio, mecânico, que agrava em proporções catastróficas todos os conflitos que as famílias já tinham antes de nele se instalarem. O conjunto residencial Gropius é apenas um exemplo: há muitos desses grandes conjuntos residenciais construídos unicamente dentro de uma perspectiva funcional, técnica, esquecidas as necessidades afetivas dos seres humanos. Transformam-se em um excelente meio para o desenvolvimento de problemas psicológicos. Não é por acaso que os casos mais graves de alcoolismo e toxicomania juvenil aí estão implantados. Além disso, as escolas são semelhantes a grandes fábricas, onde reina o anonimato, a solidão moral e uma concorrência desenfreada e brutal."


Horst-Eberhard Richter, psicanalista e autor do prefácio de "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..."


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22/08/2012

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A sociedade de Christiane F. e o contexto histórico

Antes mesmo que Christiane F. fosse nascida, criaram-se as bases do que influenciaria seu destino e o de milhares de outros jovens toxicômanos na Berlim da década de 70.

Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída...
Christiane F. aos 15 anos de idade



Recém saída de um complicado momento político, em 1950, uma Alemanha enfraquecida se dividia em duas. A Oriental era apoiada pela União Soviética sob regime comunista; a Ocidental, bloqueada pela União Soviética, mantinha laços com grandes potências capitalistas, como os Estados Unidos, que após a Segunda Guerra Mundial despontaram como um Estado superior a qualquer outro em recursos materiais, financeiros e tecnológicos. Assim, a Alemanha Ocidental se desenvolvia industrialmente a plenos pulmões.

Devido a estas diferenças entre as duas Alemanhas, não tardaria até que fosse construído o Muro de Berlim, em 1961, que separava geograficamente as duas metades e se localizava ao lado do conjunto Gropius (o Gropiusstadt pertencia à margem ocidental do muro). Este período de desenvolvimento industrial da Alemanha Ocidental ficou conhecido como "Milagre Econômico" e se estenderia durante cerca de vinte anos. Berlim era uma vitrine do capitalismo.


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• Conheça o edifício e a rua Joachim-Gottschalk-Weg, onde Christiane F. viveu.


No entanto, um "Milagre Econômico" como este costuma vir acompanhado de muitas adversidades, e o caso alemão não foi diferente. Embora tenha ocasionado melhora no poder aquisitivo do povo, a industrialização deu origem também a certo grau de crise social, por fatores como o crescimento desordenado da população, o aumento da quantidade de imigrantes estrangeiros (se lembra dos "estrangeiros sujos" aos quais Christiane F. tanto se refere no livro?), que buscavam melhores oportunidades em uma Alemanha economicamente promissora, concentração da renda e da riqueza, aumento da competitividade no mercado de trabalho, etc.

Estes fatores seriam suficientes para abalar mesmo a mais sólida das estruturas sociais. Foi neste ambiente que Christiane F. e seus amigos cresceram.

21/08/2012

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Drogas nos anos 1970: heroína e a juventude de Berlim Ocidental

Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída...
Christiane F. aos 15 anos, em 1978


Além de se passar na Europa, aonde a heroína tem grande potencial para ser distribuída facilmente, como vimos nos posts anteriores, a história de Christiane F. se passa nos anos 70, época em que os poderes nocivos das drogas ainda não eram inteiramente conhecidos e estudados. Época esta, também, aonde Timothy Leary, um psicólogo, propunha benefícios terapêuticos do LSD, por exemplo. Hoje se sabe que o LSD não é exatamente uma substância boa para a saúde.

Essa opinião coletiva de que certas drogas faziam bem mudou de lá para cá em razão do conhecimento que foi sendo criado acerca delas e das descobertas sobre seus malefícios físicos, mentais e sociais.

Pode-se até mesmo fazer um paralelo do consumo de drogas com o tabagismo: não muitos anos atrás, fumar era considerado glamouroso e elegante. Conforme foram sendo conhecidos os malefícios do cigarro e sua relação com o câncer de pulmão, cresceu a campanha anti-tabagismo e hoje os fumantes existem, provavelmente, em número muito menor do que cinquenta anos atrás.

Se perguntar para seu avô, não será incomum que ele diga que fumou seu primeiro cigarro ainda na infância. O mesmo aconteceu com Christiane F.:

"Tinha então oito anos. Meu maior desejo era crescer logo, ser adulta, adulta como meu pai. (...) No caminho de volta da escola para nossas casas remexíamos em todos os cinzeiros e latas de lixo para catar as guimbas de cigarro. Dávamos um jeito nelas e fumávamos."

As drogas eram algo relativamente novo então e ideia sobre elas era diferente da atual. Sendo assim, de certa forma, não é errado dizer que as drogas eram mais bem aceitas do que hoje em dia. Como vemos no livro, nas palavras da própria Christiane, quem se drogava era considerado "descolado". Dessa forma, não se poderia esperar retrato diferente do que o livro "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..." nos mostra, de toda uma geração desesperançosa e completamente arruinada pelo consumo de drogas.

20/08/2012

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Wir Kinder vom Bahnhof Zoo

Wir Kinder vom Bahnhof Zoo
Capa de uma das edições alemãs do livro "Eu, Christiane, F., 13 anos, drogada, prostituída..." com uma foto real da fachada da discoteca Sound.
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Distribuição geográfica da heroína: por que na Europa?

Além do fator cultural, há a questão da distribuição da heroína pelo mundo. O Afeganistão é, atualmente, o maior produtor e exportador de heroína do mundo, detendo o mercado europeu. São produtores secundários o Paquistão e outros países do entorno. Geograficamente, estão próximos da Europa, o que possibilita a distribuição da droga até mesmo por via terrestre. Já quando se fala de exportação da droga para a América, o transporte deve ser feito por navio ou avião, e enfrenta dificultades para ultrapassar os pontos de fiscalização, que é muito intensa e eficiente.

É provável que poucos traficantes consigam sucesso em driblar a alfândega americana, o que faz com que a droga chegue até nós em pouca quantidade, com consequente aumento de preço. Aquela velha história de demanda e oferta também se aplica ao comércio de drogas: se a oferta é pouca e a demanda grande, o preço da mercadoria tende a subir.

Por outro lado, um dos principais produtores de cocaína, a Bolívia, está localizada na América do Sul. Seguindo esta mesma lógica, a proximidade e a relativa facilidade na exportação explicaria o fato de ela ser largamente consumida no continente americano e chegar até os usuários com valores mais acessíveis.

Talvez a heroína não seja popular no Brasil por pura e simples questão de má distribuição. Se um dia a exportação por parte dos produtores enfrentar menos dificuldades, a distribuição deve se ampliar e abranger um mercado consumidor mais amplo.

O mapa a seguir mostra a distribuição mundial da heroína, em setas vermelhas, comparada à da cocaína, em setas verdes.



Se existe algum consumo de heroína no Brasil, ele está intimamente ligado ao fato de que a droga, nos últimos dez anos, vem sendo produzida na Colômbia e no México. Sendo assim, é provável que, nos próximos anos, a heroína ganhe espaço ainda na América, já que estes países já são responsáveis pelo abastecimento do mercado dos EUA, maior consumidor de heroína no continente americano.


Fontes: r7.com (mapa) e revista Veja online

19/08/2012

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Trainspotting x Réquiem para um Sonho: dois filmes sobre drogas

Para entendermos bem o que se passou com Christiane F., é preciso abrir nossa mente e nos livrarmos da visão sulamericana que temos do mundo, para refletir sobre os acontecimentos de acordo com a época e com o lugar aonde tudo aconteceu. Temos que nos imaginar inseridos no mesmo contexto em que Christiane e os outros estiveram.

Para isso, é importante ressaltar que às vezes esquecemos, mas existe diferença cultural entre Europa e Américas. Essa diferença se reflete em muitos campos que vão além do sotaque distinto com que americanos e europeus falam o mesmo idioma, por exemplo, na política, na arte, no comportamento do povo, na forma das pessoas se relacionarem umas com as outras e até nas drogas que consomem.

Uma forma divertida de exemplificar tal distinção cultural relacionada ao consumo de drogas seria através de filmes. "Trainspotting", produção inglesa de 1996, com Ewan McGregor, mostra de forma bem humorada e chocante a realidade de quatro jovens viciados na Inglaterra.


Trainspotting
Por outro lado, o filme "Réquiem para um Sonho", com Jared Leto, produção norteamericana de 2000, mostra a rotina de quatro drogados nos Estados Unidos. A diferença entre as substâncias nas quais os personagens são viciados é nítida: em "Trainspotting", majoritariamente heroína; em "Réquiem para um Sonho", anfetaminas e cocaína injetada.


Réquiem para um Sonho
Os dois filmes falam do mesmo assunto (vício em drogas), mostram o mesmo resultado (consequências desastrosas do vício), contam quase a mesma história e são muito parecidos entre si, mas, ao mesmo tempo, diferentes, justamente devido às drogas que são exploradas. Apesar de "Réquiem para um Sonho" ser uma produção dos Estados Unidos, país que ocupa o posto maior consumidor de heroína no continente americano, quando comparado com "Trainspotting", o filme demonstra a menor difusão da heroína na América e a Europa de Christiane F. se firma como a principal consumidora de heroína do mundo, consumindo 26% de toda a produção mundial, seguida da Rússia, que consome cerca de 21%.


Para saber mais:
Trainspotting no IMDb (em inglês)
Trainspotting no AdoroCinema (em português)
Réquiem para um Sonho no IMDb (em inglês)
Réquiem para um Sonho no AdoroCinema (em português)

Leia mais artigos sobre outros Filmes Junkies:
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18/08/2012

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Joachim-Gottschalk-Weg: a rua onde Christiane F. viveu



Este é o edifício de número 10 do Gropiusstadt, na rua Joachim-Gottschalk-Weg, aonde Christiane morou no décimo primeiro andar com sua família, antes de seus pais se divorciarem.

"Ali nos instalamos em um apartamento de dois cômodos e meio, no décimo primeiro andar. O meio cômodo era o quarto das crianças. Todas as coisas bonitas de que minha mãe nos falara jamais caberiam ali."



• Saiba mais sobre o Conjunto Gropius
• A escola de Christiane F.


Se você sempre quis dar uma passeada pelos mesmo locais aonde Christiane F. esteve, divirta-se:


Exibir mapa ampliado

17/08/2012

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Revista Jovem Pan (2003): a reportagem sobre heroína no Brasil


O estrago da heroína: histórias de quem viveu pra contar. Um panorama da distribuição da droga no Brasil e do cotidiano dos viciados brasileiros na última década.

Matéria de Israel J. Stein
Revista Jovem Pan - Junho/julho 2003 - n° 4


Abaixo das imagens, consta a transcrição da matéria!

Cuidado com a Heroína

PRODUZIDA NA COLÔMBIA, A "JOANA D'ARC" ENTROU NO PAÍS ATRAVÉS DOS RIOS DA AMAZÔNIA E PELA FRONTEIRA DA VENEZUELA. OS ESPECIALISTAS AVISAM: QUEM USA A DROGA NÃO SABE QUE ESTÁ ENTRANDO NUMA VIAGEM QUE MATA E CAUSA MAIS DEPENDÊNCIA QUE O CRACK
POR ISRAEL J. STEIN

"Vamos matar Joana antes que Joana nos mate..." Cantarolando, como um palhaço lúgubre, a melodia Eu não Matei Joana D'Arc, do Camisa de Vênus, Antônio está pronto para caçar o dragão. Pega uma lâmpada, arranca o bocal. Joga dentro dela uma pitada de um pó marrom. Põe a lâmpada na boca, como um cachimbo, esquenta o vidro, dá uma pitada. Pronto. O dragão está caçado.

Ao seu lado, José, que não curte o gosto do vidro, diz: "pega um papel-alumínio na cozinha!". Estica a superfície brilhante e polvilha sobre ela o mesmo pó marrom. Depois, acende um isqueiro por debaixo do alumínio. O pó ferve. Libera uma fumaça, que José absorve correndo. Sente um tranco. O mesmo tranco que segundos atrás e linhas acima fez com que Antônio caísse de costas num sofá. Como se sentisse um orgasmo. Só que o tesão por caçar o dragão na verdade é um atalho para lhe tirar as dores do corpo. Que se estendem, nos dois, há pelo menos três anos. Heroína é isso aí: o que surgiu de uma curiosidade para acompanhar "umas minas" em uma rave no interior do Estado de São Paulo, no ano 2000, converteu-se em dependência da brava. Que lhes consome a saúde, as amizades e o bolso. "Só ando com quem caça o dragão, sempre sobra uma rapa. Também, por cem dólares o grama, como eu iria viver de caçar o dragão sozinho?", diz Antônio. Os dois mataram Joana D'Arc. Mas ela os tem matado. Em conta-gotas. Ou melhor: em baforadas. Porque, dizem os dois, não gostam de ver sangue e preferem fumar a injetar.

"Caçar o dragão" foi um termo que aprenderam no ano passado, quando viram o filme Do Inferno, em que Johnny Depp interpreta um viciado em ópio e heroína que tenta encontrar, como agente da Scotland Yard, a identidade do assassino conhecido como Jack, o Estripador. Mas a gíria empregada pelos dois não é tão antiga assim. "Chase the dragon" é termo ainda hoje empregado em South Central, bairro mais violento de Los Angeles, pelos consumidores de heroína. E a referência à música do Camisa de Vênus é óbvia: Joana D'Arc significa simplesmente "heroína".

Antônio e José, os dois protagonistas da nossa história, são de carne e osso. Melhor dizendo: são de pele e osso. Moram em São Paulo. Dispõem de quatro fontes que lhes trazem a heroína da Bahia, uma vez por mês. José não trabalha mais. Antônio vive de bicos, carregando amplificadores para shows de pelo menos quatro bandas diferentes, que lhe pagam R$ 80 por dia de trabalho, mesmo assim só quando há shows. Para manter o vício passou a me traficar heroína. Como não tem grana para tanto consumo, achou uma droga substituta que está fazendo com que perca os cabelos: compra de uma vez 12 frascos de Elixir Paregórico na farmácia. O remédio, que é usado para cólica de bebês, contém uma porção mínima de morfina em sua solução (menos de 0,001 ml). Antônio chega a tomar seis frascos juntos para sentir barato semelhante ao da heroína. "Algumas minas reclamam que meu fedor é de petróleo", diz, sorrindo.

O fato é que a heroína invadiu o Brasil. O delegado federal Gilberto Tadeu Vieira Cesar diz que nos últimos três anos a Polícia Federal "apreendeu quase uma centena de quilos de heroína, que se destinavam ao exterior, droga produzida na Colômbia e que entrou no Brasil pelos rios da Amazônia e pela fronteira da Venezuela, introduzida no país por colombianos e venezuelanos".

Tadeu Cesar avalia: "Sem dúvida alguma as plantações de papoula na Colômbia representam uma séria preocupação, na medida em que a heroína, como a cocaína, pode ser introduzida no Brasil e se tornar mais uma opção para traficantes e dependentes de drogas. Evidentemente, por trás da produção de heroína e outras drogas ilícitas, está o crime organizado, representado pelos cartéis produtores e máfias distribuidoras".

As afirmações do delegado ganham outra dimensão quando comparadas aos números do tráfico colombiano. A DEA (Drug Enforcement Administration), agência norte-americana de combate às drogas, revela que desde 1995 o cultivo de coca na região triplicou, de 50 mil hectares em 1995 para mais de 169 mil em 2001. Ou seja: a produção colombiana aumentou 217% desde 1995. E o que isso tem a ver com heroína?

Tudo. As dez principais máfias do mundo movimentam por ano cerca de US$ 3 trilhões, gerados a partir de US$ 200 bilhões que os cartéis colombianos movimentam por ano. Essa movimentação faz com que os narcotraficantes movimentem o caixa e cresçam, diversificando seus "negócios". Desde os anos 90, o cultivo de ópio na Colômbia se expandiu rapidamente. Com cerca de 6.540 hectares de cultivo de papoula em 2001, a Colômbia produz por ano 4,3 toneladas cúbicas de heroína. "Capitalizando as rotas existentes de cocaína, os traficantes colombianos tomaram o controle da heroína, desbancando os traficantes tradicionais do Sudoeste Asiático. Cerca de 59% da heroína confiscada nos Estados Unidos por ano é de origem colombiana, contra 24% de uma combinação vinda dos cartéis asiáticos (16% do sudoeste e 8% do sul)", revela relatório divulgado pela DEA no ano passado (veja site: www.usdoj.gov/dea).

Na retaguarda do vício de Antônio e José há portanto uma rede internacional de assassinos e traficantes, dispostos até a derrubar governos — como o general Garcia Meza fez na Bolívia em 1980.

Infelizmente, no Brasil, não são apenas nossos entrevistados, Antônio e José, que estão pouco se lixando para tudo isso, inclusive para suas vidas. "Com preços variando de R$ 250 a R$ 400 reais o grama, só a elite me consome heroína no Brasil. Cerca de 70% do que há aqui é a marrom, ou brown sugar. São altos executivos, que não sabem que estão entrando numa droga que mata e causa mais dependência do que o crack. Essa droga desagrega o físico e o mental", resume o delegado Luis Carlos Magno, do Denarc, de São Paulo, órgão da Polícia Civil que combate o narcotráfico.

NA MÚSICA, DE MÃOS DADAS COM A MORTE

Além de Kurt Cobain, a história do rock e da música revela que a heroína anda de mãos dadas com a morte. Aqui estão os casos mais famosos: Miss Crissie, adolescente, chefe do fã-clube de Frank Zappa, morta por overdose em 1972; Vinnie Taylor, guitarrista da banda Sha Na Na, morto aos 25 anos, em 1974; Brian Cole, aos 28 anos, em 1972; Steve Perron, compositor do ZZ Top, aos 28 anos, em 1973, morto ao engasgar com o próprio vômito após ter injetado; Robbie McIntosh, aos 24 anos, o baterista da Average White Band, que morreu nos braços de um amigo, em 1974; o famoso Sid Vicious, baixista dos Sex Pistols, foi-se aos 21, em 1979; Janis Joplin, aos 27 anos, em 1970.

Há quem associe certos climas do jazz dos anos 30 e 40 ao alto consumo de heroína: uma morbidez contida, como a de Chet Baker, por exemplo. Entretanto, o caso em que mais se revelaram os estragos que a heroína pode fazer com um ser humano, em termos de decadência, foi posto a nu no livro The Hammer of The Gods, de Stephen Davis, celebrado repórter do The New York Times. Em 359 páginas, ele conta passo a passo como o pozinho desagregou as vidas e as carreiras dos músicos do Led Zeppelin, sobretudo Jimmy Page. O livro ficou semanas na lista dos mais vendidos nos Estados Unidos nos anos 90. A fonte principal foi ninguém menos que Richard Cole, o chefe de palco do Led, ele mesmo um viciado em heroína, que graças ao vício trocou a fama e a fortuna que rodeavam o Led por uma cela de prisão na cadeia Regina Coelli, nos arredores de Roma.


Veja matérias sobre Christiane F. em outras revistas:
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16/08/2012

Christiane F. criança: foto de infância

Na imagem a seguir, vemos uma Christiane F. (ao centro da foto, de casaco verde) ainda criança. Não se sabe ao certo quanto anos de idade ela tinha na data desta foto, mas, provavelmente, coincide com o período em que residia com a família no conjunto Gropius.


Este é um momento chave para a compreensão do que veio a suceder na vida de Chris e na de muitos jovens que, como ela, também se tornaram viciados. Como vimos no livro, foi grande o número de vítimas fatais da droga.

"Dos oitenta e quatro mortos vítimas de heroína no ano de 1977, não tínhamos o menor conhecimento de vinte e quatro desses viciados, e eles, com certeza, não morreram em conseqüência de uma primeira dose."

"Inconscientemente procurava sempre essas informações. Os artigos eram cada vez mais curtos, porque cada vez havia mais mortos encontrados com uma agulha plantada no braço."



Lendo Christiane F. em 2012

Hoje em dia, para leitores brasileiros, a história de Christiane F. choca muito mais do que deveria pelo momento e até mesmo pelo país em que vivemos. Para a época e país em que a história aconteceu, o que foi retratado no livro era até muito normal. Como podemos ver nos trechos do livro destacados acima, somente em 1977, em Berlim, 84 jovens foram vítimas fatais da heroína, dos quase 600 que morreram em toda Alemanha Ocidental. Se formos juntar a esta conta os jovens que usavam heroína e sobreviveram, como Christiane F., Detlef e Stella, imagina-se que o número de drogados era realmente muito alto.

A história nos choca tão profundamente porque vivemos no Brasil, um país aonde a heroína não é tão comum e as meninas de treze anos não são tão maduras quanto Christiane F. era. Estamos passando por um momento aonde a maioria das meninas de treze anos está na escola e na internet, nas redes sociais, escrevendo bobagens e sendo nada mais do que meninas de treze anos de idade. Nossos adolescentes são alienados e fúteis em um tipo de alienação e futilidade muito diferente da dos adolescentes alemães dos anos 70, portanto, há de se considerar as diferenças culturais entre Brasil e Alemanha.

Falemos de outra menina que disputa com Christiane F. o posto de jovem alemã mais famosa no mundo: Anne Frank. Anne, supostamente, escreveu um dos maiores best sellers de todos os tempos contando sua história de refugiada judia durante o período do Holocausto ("O diário de Anne Frank", Editora Record, 350 páginas) de forma muito inteligente e eloquente. Quem já tiver lido este livro, concordará que Anne Frank, com toda certeza, era muito mais madura e erudita do que sua idade sugeria. Apesar de terem nascido em épocas distintas e terem tido vidas diferentes, acredito que o mesmo amadurecimento precoce tenha ocorrido com Christiane F., talvez devido à cultura alemã, ao tipo de criação que as famílias dão a suas crianças ou à educação básica que as crianças recebem nas escolas alemãs. Nos anos 70, as drogas encontraram em Berlim jovens muito mais maduros do que os de hoje em dia e é inútil comparar Christiane F. e seus amigos às crianças que têm treze ou quatorze anos em 2012.

No Brasil de hoje não se encontra heroína em cada esquina, ao passo que em Berlim, a droga era vendida em qualquer lugar.

"Às vezes fornecedores passavam pelo pedaço com um bom sortimento. Bastava pedir qualquer coisa para voar e eles respondiam: 'O que você quer? Valium, Valeron, maconha, LSD, cocaína, heroína?'"

"Eu sabia que no Sound havia uma 'cena'. Ali se vendia de tudo, desde a maconha até a heroína, incluído o Mandrix e o Valium."

Sobre o Mandrix, o Valeron e o Valium, que são medicamentos de farmácia, a fiscalização no Brasil é muito intensa e não se pode comprar sem receita (é claro que existe um mercado negro, mas também não é fácil encontrar). Quanto à heroína, quando encontrada no Brasil, custa caro, muito caro. Para se ter uma ideia, cerca de dez anos atrás, no fim do governo FHC e com a alta do dólar, um grama no Brasil custava de R$250 a R$400. Essa informação foi publicada em uma edição n° 4 da Revista Jovem Pan, 2003, em uma reportagem sobre brasileiros viciados em heroína. Leia esta reportagem escaneada. Hoje não sei mais quanto custa, mas não deve ter barateado muito.


• Como vivem os toxicômanos no Brasil
• O Conjunto Gropius
• O edifício aonde Christiane F. viveu
• A escola de Christiane F.


De qualquer forma, a heroína é uma droga cara para a realidade latino americana e não é comum vermos casos de viciados em heroína no Brasil, mesmo entre ricos e artistas que poderiam pagar o preço alto desta droga, ao passo que, se olharmos para outros países, é bem fácil apontar diversos ídolos internacionais que fizeram uso dela: Kurt Cobain, Courtney Love, River Phoenix, Janis Joplin, Amy Winehouse, Pete Doherty, Nikki Sixx e mais recentemente, Macaulay Culkin, entre outros. Isso sem falar da quantidade de viciados anônimos que deve haver lá fora.

Mas por que isso acontece? Por que a heroína é tão cara no Brasil? Em breve falaremos da questão a distribuição desta droga para o continente americano.

14/08/2012

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Macaulay Culkin viciado em heroína?


O ator Macaulay Culkin, astro de "Esqueceram de mim" (1990), está viciado em heroína e tem usado regularmente um poderoso analgésico, informou reportagem publicada pelo tabloide americano "The National Enquirer". Representantes do ator negaram as suspeitas de que ele tenha chegado perto de sofrer uma overdose e também que gaste milhares de dólares em medicação.

O tabloide afirma que Culkin, de 31 anos, gasta mais de R$ 12 mil reais por mês comprando analgésicos e "transformou o seu apartamento em Manhattan num refúgio privado para consumo de drogas, no qual ele passa horas sozinho ou na companhia de um círculo restrito de amigos usuários".

Segundo o tabloide, o ator intensificou nos últimos 18 meses o uso de drogas, devido ao fim de seu relacionamento com a atriz Mila Kunis ("Cisne negro"), que agora estaria com Ashton Kutcher.

"Macaulay é viciado em drogas e isso o está matando!", teria afirmado uma fonte ao "Enquirer". "Ele se viciou há um ano e meio, e suas 'drogas de escolha' são heroína ou oxycodona [analgésico]. Mac cercou-se de viciados e delinquentes. É uma verdadeira tragédia." Descrito como "amigo próximo", outro entrevistado teria chegado a dizer que Culkin está "certamente morrendo".

Além de ter estrelado "Esqueceram de mim" e ainda uma continuação lançada dois anos depois do original, Macaulay Culkin figurou em produções como "Meu primeiro amor" (1991) e "Riquinho" (1994). Ainda criança, ele deu vida a um personagem polêmico, espécie de psicopata infantil, em "O anjo malvado" (1993), no qual divide cena com Elijah Wood, que mais tarde ficaria conhecido como o Frodo da trilogia "O senhor dos anéis".

Depois de "Riquinho", ele só voltaria a atuar no indie "Party Monster" (2003), que tem participação do roqueiro Marilyn Manson. Desde então, ele jamais repetiu o sucesso alcançado no princípio de sua carreira.


Fonte: G1.com
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Gropiusstadt: o conjunto habitacional onde Christiane F. cresceu

Gropiusstadt
A jornada de Christiane F. começa ainda em sua infância, aos seis anos de idade, quando ela se muda com sua família para o conjunto Gropius, o Gropiusstadt, localizado em Neukölln, Berlim.

"O conjunto Gropius abriga, em suas torres, quarenta e cinco mil pessoas. Entre os prédios, gramados e centros comerciais. De longe, tudo isso tem um ar de novo, tudo parece muito bem-cuidado, mas, quando se está dentro, entre os prédios, fede a xixi e a cocô. É por causa de todos os cachorros e crianças que vivem nesse conjunto. E no vão da escada, fede ainda mais."


O que é Gropius e por que o conjunto residencial se chama Gropiusstadt?

Gropiusstadt
Gropiusstadt significa, literalmente traduzindo, "cidade Gropius" (stadt = cidade). Mas o que é Gropius?


Walter Gropius, arquiteto do GropiusstadtWalter Gropius (Berlim, 18 de maio de 1883 — Boston, 5 de julho de 1969) foi um arquiteto alemão. É considerado um dos principais nomes da arquitetura do século XX, tendo sido fundador da Bauhaus, escola que foi um marco no design, arquitetura e arte moderna e diretor do curso de arquitetura da Universidade de Harvard. Gropius iniciou sua carreira na Alemanha, seu país natal, mas com a ascensão do nazismo na década de 1930, emigrou para os Estados Unidos e lá desenvolveu a maior parte de sua obra.

Fonte: Wikipedia


Walter Gropius foi o arquiteto responsável pelo projeto do conjunto Gropius. Ao lado, Walter Gropius fotografado por Louis Held. Na época, o conjunto era localizado próximo ao Muro de Berlim (hoje o muro não existe mais), em sua face ocidental (capitalista). Inicialmente, o projeto se chamava Britz-Buckow-Rudow, mas depois foi renomeado em homenagem ao arquiteto.


Dados do conjunto Gropius:

Área: 2.66 km²
Altura: 52 m
População: 35,844 (em junho de 2008)
Fundado em: 1960 (Christiane e sua família foram morar lá em 1968)
Site oficial: www.gropiusstadt.info (em alemão)
Site informativo sobre o Gropius: www.qm-gropiusstadt.de (em alemão)

13/08/2012

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Christiane F. na Bahnhof Zoo: a estação que marcou sua história

Christiane F. na Estação Zoo

Detalhe da imagem que estampa a capa original do livro "Wir Kinder vom Bahnhof Zoo".

As informações que se pode encontrar na internet sobre esta foto são de que ela, supostamente, retrataria um encontro real de Christiane F. com um cliente na Estação Zoo, ainda na época em que a jovem se prostituía a fim de conseguir dinheiro para sustentar seu vício em heroína.

Esta foto foi tirada por Jürgen Müller-Schneck a fim de ilustrar o relatório anterior à reportagem de Kai Hermann e Horst Rieck à revista alemã Stern.

Christiane F. foi descoberta em 7 de Fevereiro 1978 pelo jornalista Horst Rieck. Juntamente com o fotógrafo Jürgen Müller-Schneck, ele estava trabalhando para a revista Stern em um documentário sobre a prostituição infantil, devido ao início do julgamento de um berlinense ocidental abastado de 55 anos que estava no quarto dos fundos de sua papelaria com uma menina de 13 anos. O empresário, chamado Heinz G., vinha pagando prostitutas menores de idade com heroína por seus serviços há anos, e a polícia finalmente o havia localizado.

Uma garota sentou no banco fora do tribunal, à espera de sua convocação como testemunha. Acusada de usar heroína desde os 13 anos e de se prostituir para manter o vício, ela não estava lá para falar sobre drogas, mas sim como uma prostituta infantil. Ela era completamente desconhecida, Christiane F., de 15 anos de idade. Rieck questionou se ela teria algo a dizer sobre o Babystrich (prostituição de menores) e Christiane disse firmemente: "Pode apostar que sim!"

Rieck pediu para entrevistá-la, e Christiane Felscherinow concordou, explicando mais tarde que achava que era basicamente uma terapia mais barata. Rieck, Hermann e Felscherinow se encontraram diariamente durante meses.

Wir Kinder vom Bahnhof Zoo Buch
Na tarde do mesmo dia, Jürgen Müller-Schneck fez as primeiras fotos de Christiane F. no apartamento de Rieck em Berlim, aonde o repórter teve as primeiras conversas com ela. O que Christiane disse foi comovente e pronto para impressão. O que havia registrado na fita cassete era uma história tão incrível quanto verdadeira. Seu relatório foi publicado na edição 40 da Stern, em 28 de Setembro 1978, e apareceu com uma imagem de Christiane.

Suas revelações explodiram sobre os abismos da nossa sociedade, no que se referia ao "Babystrich", com a série sobre as crianças da Estação Zoo. Em suas outras conversas com Christiane,Rieck levou-a para um novo local, junto com Kai Hermann, editor da Stern. Os registros de fita editada dessas conversas e entrevistas com pessoas do ambiente Christiane transformaram os jornalistas em autores do best-seller mundial "Eu, Christiane F. 13 anos, drogada, prostituída..."

Todas as fotos de Christiane na época mostravam uma menina completamente diferente. Sua foto na capa do livro também não revelava sua identidade, para proteger sua privacidade. Essa proteção não ia durar muito tempo, devido à realização de um filme baseado no livro, com Christiane servindo de consultora e com a exploração de sua imagem para fins publicitários.

12/08/2012

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Christiane F.: a capa original de Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída

Christiane F., a capa original do livro
Esta é a capa original do livro que tornou a história de Christiane Vera Felscherinow conhecida em todo o mundo.

Sabe-se que, inicialmente, o planejado era escrever somente uma reportagem sobre Christiane F. na revista alemã Stern (cujo logotipo encontra-se na capa da primeira edição do livro - a estrela branca dentro do retângulo vermelho).

Aos 15 anos, a jovem testemunhava em um processo criminal contra um homem de negócios que pagava prostitutas juvenis com heroína, na Berlim de 1978. Seu depoimento e a riqueza de detalhes com a qual narrava os fatos chamaram a atenção dos jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck.

Então uma tarde de entrevistas transformou-se em dois meses de pesquisas, gravações e visitas a locais habitados pelo vício, pelo tráfico e pela prostituição, como a famosa a discoteca Sound e as estações de metrô Zoologischer Garten, Kurfürstendamm, etc. Vários destes locais e personagens citados no livro foram fotografados por Jürgen Müller-Schneck para a matéria.

Saiba mais detalhes sobre a entrevista inicial que deu origem ao livro Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída: Christiane F. na Bahnhof Zoo: a estação que marcou sua história

Em fins de setembro do mesmo ano, a revista Stern publicava a série de reportagens com a seguinte capa:
Christiane F. na Revista Stern
A série "Wir Kinder vom Bahnhof Zoo" (traduzindo: "Nós as Crianças da Estação Zoo") chamou tanto a atenção do público que acabou sendo publicada com o livro que abalou toda a nação alemã e virou best seller mundial: "Christiane F. - Wir Kinder vom Bahnhof Zoo", título traduzido no Brasil como "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída".

11/08/2012

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Christiane F.: quem é ela?

Christiane F. real em 1978
Aos 13 anos ela era junkie e prostituta. Passava suas tardes alternando entre fétidos banheiros públicos e o entorno da Estação Zoo (Bahnhof Zoologischer Garten) de Berlim, sempre às voltas com colheres e seringas. Aos 14, era fumante inveterada, capaz de acabar com um maço em duas ou três horas.

Aos 15, em 1978, conheceu Horst Rieck, um jornalista que fazia uma pesquisa sobre os problemas da juventude alemã, que quis entrevistá-la. Acusada de usar heroína desde os 13 anos e de se prostituir para manter o vício, ela não estava lá para falar sobre drogas, mas sim como uma prostituta infantil.

Um berlinense ocidental abastado chamado Heinz G. vinha pagando prostitutas menores de idade com heroína por seus serviços há anos, e a polícia finalmente o havia localizado. Rieck pediu para entrevistá-la, e Christiane Felscherinow concordou, explicando mais tarde que achava que era basicamente uma terapia mais barata. Rieck, Hermann e Felscherinow se encontraram diariamente durante meses.

Este momento está descrito mais detalhadamente no post Christiane na Bahnhof Zoo.

Rieck ficou tão impressionado que, junto com o também jornalista Kai Hermann, escreveu no mesmo ano um livro sobre a jovem, com o título original "Wir Kinder vom Banhof Zoo". Foi lançado no Brasil em 1982, como "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..."

O mundo percebeu então que o estereótipo de drogado marginal e violento pode falhar. Christiane Vera Felscherinow era uma menina frágil, bonita, tinha amigos, frequentava a escola e fazia lição de casa. Até se viciar em heroína e começar a se prostituir nas ruas de Berlim em troca de alguns marcos para sustentar o vício.

"Sem me dar conta, eu me dividi em duas. Duas pessoas absolutamente diferentes. Escrevia cartas a mim mesma. Mais precisamente Christiane escrevia para a Vera. Vera é o meu segundo nome. Christiane era a menina de 13 anos que queria ir à casa da avó, a menina comportada; Vera, a drogada."

Mais tarde, em 1981, o diretor Uli Edel viria a rodar um filme baseado na vida de Christiane F., o que marcou de vez seu nome na cultura pop, fazendo com que, mesmo passados mais de trinta anos, sua história não tenha sido esquecida.

Entre para o nosso bando e venha reviver esta viagem...

Veja mais artigos sobre Christiane F.:
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05/08/2012

Sobre nós

Quando li o livro pela primeira vez, em 2003, eu tinha quinze anos de idade, fiquei encantada por Christiane F. e muito interessada em saber mais sobre ela. Este blog nasceu da dificuldade que eu tinha, na época, em encontrar material em português sobre Christiane. Encontrava-se pouca coisa e a maioria em inglês ou alemão. O principal site era o bredband.net, um site sueco que já saiu do ar e o wir-kinder-vom-bahnhof-zoo.de, uma página alemã que, até hoje, foi o que mais se aproximou de um site oficial, pois hospedava fotos raras tiradas na época, que acabaram não entrando para o livro. Esta página também saiu do ar mas hoje é possível encontrar facilmente as tais fotos. Mesmo com a dificuldade em encontrar notícias na época, eu colecionava tudo o que podia: salvava fotos, imagens e textos do que quer que houvesse relacionado ao nosso querido bando. Quando dei por mim, possuía pastas virtuais repletas de material.

Em 2005 eu acabava de entrar no mundo do webdesign e programação experimentais. Nada melhor para testar meu conhecimentos recém adquiridos em html do que criar um site. Mas qual seria o tema do meu primeiro site? Guiada pela vontade que já tinha de compartilhar o material que juntara com os outros fãs, Christiane F. foi a cobaia perfeita para minhas primeiras incursões na vida de webmaster. Entre idas e vindas, mudanças de servidor, mudanças de vida (afinal, ufa, são muitos anos!) e falta de tempo, estamos no ar desde este mesmo ano.

O site surgiu primeiro no finado Geocities (alguém se lembra dele? Estou ficando velha...), que pertencia ao Yahoo!. Se chamava wirkinderpage. Infelizmente, devido a formatações de computador e gravações de dados em disquetes (disquetes!) fujões, não possuo nenhuma imagem dos layouts que usei, e com a descontinuidade do geocities, a URL geocities.yahoo.com/wirkinderpage não retorna nenhum resultado no Wayback Machine ou Google (nem mesmo em cache).

Insatisfeita com o Geocities (mais com essa URL ridícula do que com qualquer outra coisa), em meados de 2006 migramos para o CJB.net. Procurei bolar um endereço que fosse mais fácil de lembrar e de escrever, para ajudar os visitantes. A ideia perfeita foi o usar o nome da estação de metrô mais famosa da Alemanha: ESTAÇÃO ZOO. Sendo assim, nosso endereço ficou sendo estacaozoo.cjb.net. Depois disso, o CJB.net também saiu do ar e nos deixou na mão, de forma que essa URL não pertence mais a nenhum site. No entanto, é possível encontrar resultados no Google e acessar o conteúdo de algumas páginas em cache.


Para o endereço estacaozoo.cjb.net, o Wayback Machine retorna também alguns resultados do ano de 2008.

Enquanto estávamos hospedados no CJB.net, na maior parte do tempo tivemos esta cara (clique para ampliar):



Depois que o CJB.net foi descontinuado, o site ficou um tempo em hiatus, para retornar em 2009 no fotolog, no endereço fotolog.com/estacaozoo. O serviço também foi descontinuado e migramos para o blogger.

Finalmente estacionamos no endereço atual: ESTACAO-ZOO.BLOGSPOT.COM, aonde mantivemos por muito tempo o layout da imagem ao lado.

Em 2012 o blog volta repaginado, com fôlego renovado e com novas propostas para compreendermos melhor o que levou Chris e seus amigos ao fundo do poço.

Contamos com vocês para que continuemos por mais tempo. Ainda há muito lá fora a se descobrir e a se aprender com nossa eterna menina Christiane, das Mädchen vom Bahnhof Zoo.

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