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25/01/2016

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Gucci: campanha inspirada no filme Christiane F.

Em 2016, a Gucci apresentou uma campanha de moda que chamou a atenção de quem conhece o filme “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída...”.

À primeira vista, algumas das imagens podem parecer apenas uma campanha de moda com uma estética vintage, mas as referências ao filme são numerosas — e algumas delas são tão específicas que dificilmente parecem coincidência.

Christiane F. inspira campanha da Gucci



Uma campanha inspirada em Christiane F.


A campanha da Gucci, criada durante a direção criativa de Alessandro Michele, recupera elementos visuais associados ao filme de 1981, dirigido por Uli Edel.

A inspiração aparece não apenas nas roupas, mas principalmente na atmosfera das fotografias: os cabelos vermelhos, os ambientes decadentes, os azulejos, os corredores, as poses e até determinadas situações reproduzem ou lembram cenas bastante conhecidas do filme.



Uma das referências mais evidentes aparece nas imagens que lembram a sequência em que Christiane e seus amigos correm por um centro comercial depois de quebrarem a vidraça de um guichê e roubarem o dinheiro da caixa registradora.

A sequência é acompanhada por “Heroes”, de David Bowie, e termina no terraço do edifício, ao amanhecer.




A maneira desajeitada como os personagens correm, os cabelos compridos e de um vermelho desbotado exatamente como os de Natja Brunkhorst no filme... e toda a atmosfera da cena encontram um paralelo bastante curioso na campanha da Gucci.



A cena do terraço ao amanhecer


Uma das imagens da campanha reproduz especialmente bem a atmosfera da cena do terraço.

Christiane F. inspira campanha da Gucci
Christiane F. inspira campanha da Gucci


No filme, depois da fuga, Christiane e seus amigos chegam ao terraço enquanto a noite começa a dar lugar ao amanhecer.

É uma das imagens mais marcantes de “Christiane F.” e também uma das que melhor representam a estética berlinense que o filme ajudou a transformar em referência cultural.



A cena do banheiro


As referências não ficam restritas à sequência da fuga.

Outra comparação interessante aparece nas imagens que lembram o banheiro onde Christiane injeta heroína pela primeira vez.

Christiane F. inspira campanha da Gucci
Christiane F. inspira campanha da Gucci


No filme, o momento é particularmente importante porque representa a passagem de Christiane de uma experiência inicialmente experimental com as drogas para uma dependência cada vez mais profunda.

A fotografia da Gucci recupera elementos visuais da cena, especialmente a composição da personagem que parece meio triste ou atordoada dentro do espaço.



O ponto de ônibus


Outra fotografia da campanha também lembra uma cena bastante conhecida do filme: o ponto de ônibus.

Christiane F. inspira campanha da Gucci
Christiane F. inspira campanha da Gucci


Mais uma vez, não é apenas a roupa que aproxima as duas imagens. A composição da fotografia e o ambiente contribuem para criar uma associação imediata com Christiane F. O ônibus é idêntico!



Dentro da Bahnhof Zoo


A campanha também levou suas modelos para ambientes que remetem diretamente à Berlim retratada no filme.

Esta fotografia foi feita dentro da Estação Zoologischer Garten, conhecida simplesmente como Bahnhof Zoo — o local que deu nome ao livro e ao filme.

Christiane F. inspira campanha da Gucci


A estação ocupa um lugar central na história de Christiane F. e de seus amigos. Durante os anos 1970, a região ao redor da Bahnhof Zoo tornou-se associada à cena de drogas da Berlim Ocidental e às histórias retratadas posteriormente no livro “Wir Kinder vom Bahnhof Zoo”.

Uma das paredes fotografadas na campanha da Gucci lembra particularmente uma das locações do filme:

Christiane F. inspira campanha da Gucci


Outra comparação curiosa aparece nesta fotografia: a pose da modelo, de costas para o corrimão, me remete a esta foto da Catherine Schabeck, a Stella, amiga de Christiane.

Christiane F. inspira campanha da Gucci


A fotografia original de Stella foi tirada em 1978, durante o período em que a história de Christiane F. começou a ganhar atenção pública.

A semelhança não está necessariamente em uma reprodução exata da fotografia, mas na maneira como a modelo ocupa o espaço e na composição da imagem.



A jaqueta de Christiane F.


E talvez uma das referências mais fáceis de reconhecer esteja nas roupas.

A modelo russa Polina Oganicheva aparece usando uma jaqueta muito semelhante àquela usada por Natja Brunckhorst no papel de Christiane.

Christiane F. inspira campanha da Gucci
Christiane F. inspira campanha da Gucci


A roupa faz com que a referência ao filme fique ainda mais evidente.

Veja outros trabalhos artísticos inspirados por Christiane F.:
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Christiane F. encontra a Gucci


A campanha é um exemplo curioso de como a imagem criada pelo filme “Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo” ultrapassou o cinema e passou a fazer parte do imaginário visual da cultura pop.

A Gucci não comentou formalmente as comparações diretas, mas especialistas do setor e relatos apontaram que a marca pretendia usar Berlim apenas como um cenário cru, nostálgico e hedonista para capturar uma estética jovem e ousada da cultura pop dos anos 80, em vez de fazer qualquer declaração sobre narcóticos.

Décadas depois da estreia do filme, elementos associados a Christiane F. — os cabelos vermelhos, a Berlim decadente, a Bahnhof Zoo, os clubes, os azulejos, as roupas e a atmosfera da juventude berlinense dos anos 1970 — continuavam sendo reconhecidos o suficiente para servir de inspiração a uma das maiores casas de moda do mundo.

Para quem conhece o filme, algumas das fotografias da campanha parecem quase pequenas recriações de cenas que já vimos na tela.

E talvez essa seja justamente a parte mais interessante: mais de 30 anos depois de Natja Brunckhorst correr pelas ruas de Berlim como Christiane F., a personagem continuava influenciando a moda.

Christiane F. na Gucci. Quem diria?

13/01/2016

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David Bowie morre aos 69 anos: a ligação com Christiane F.

David Bowie nos anos 70


David Bowie era o ídolo de Christiane F.


Na década de 1970, Bowie era um dos grandes ídolos da juventude alternativa de Berlim Ocidental. Christiane F. também era fascinada pelo cantor e por sua música.

No livro Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, a presença de Bowie aparece muito antes de sua participação no filme. Christiane acompanhava sua carreira e chegou a assistir a um de seus shows em Berlim.

Foi justamente depois desse concerto que aconteceu um dos momentos mais importantes — e mais trágicos — de sua história.

Segundo o relato que deu origem ao livro, Christiane experimentou heroína pela primeira vez depois de assistir a um show de David Bowie. O concerto aconteceu na Deutschlandhalle, em Berlim, durante a turnê Isolar, em abril de 1976.

É impossível ignorar a ironia cruel dessa história: o músico que Christiane admirava e cuja música fazia parte daquele universo de liberdade e rebeldia acabou ficando ligado, dentro de sua própria trajetória, ao momento em que ela entrou em contato com a droga que mudaria completamente sua vida.

É importante deixar claro, entretanto, que isso não significa que Bowie tenha incentivado Christiane a usar heroína. O cantor simplesmente fazia parte daquele universo cultural e foi o artista que ela foi assistir naquela noite. A droga veio depois, através das pessoas que estavam com ela.

David Bowie e a atriz Natja Brunckhorst no filme Christiane F.




David Bowie também aparece no filme


A relação entre Bowie e Christiane F. não ficou apenas nas páginas do livro. Quando a história chegou ao cinema, em 1981, o cantor também passou a fazer parte da própria narrativa do filme.

Bowie aparece em uma sequência de concerto e várias de suas músicas estão presentes na trilha sonora. Entre elas estão Station to Station, Heroes, TVC15, Look Back in Anger, Boys Keep Swinging, Sense of Doubt, Stay e V-2 Schneider.

Sua presença não era apenas uma escolha estética. Bowie já fazia parte da história de Christiane antes mesmo de o filme existir.

David Bowie fez a trilha sonora do filme Christiane F.




A famosa cena do concerto


Uma das cenas mais marcantes do filme mostra Christiane e seus amigos em um concerto de Bowie.

Curiosamente, a apresentação que vemos na tela não foi filmada em Berlim. A sequência foi gravada em outubro de 1980 no Hurrah Club, em Nova York, enquanto Bowie estava nos Estados Unidos para atuar na Broadway em The Elephant Man.

O clube foi transformado para parecer uma casa noturna de Berlim. Parte das imagens da multidão também foi aproveitada de gravações de um show do AC/DC realizado na Alemanha.

O resultado é uma das sequências mais reconhecíveis de Christiane F. — e também uma das que melhor representam a importância que Bowie tinha dentro daquele universo.

David Bowie e a atriz Natja Brunckhorst no filme Christiane F.




A música de Bowie acompanha a história de Christiane


A trilha sonora do filme é fortemente marcada pela fase que Bowie viveu em Berlim. Durante os anos 1970, o cantor passou uma temporada na cidade e gravou ali alguns de seus trabalhos mais importantes, entre eles Low, Heroes e Lodger.

Essa ligação com Berlim ajudava a tornar sua música especialmente adequada à atmosfera do filme: uma cidade dividida, uma juventude em busca de liberdade e uma mistura de música, arte, noite e comportamento transgressor.

A canção Heroes, em particular, acabou se tornando uma das músicas mais associadas ao filme. Sua presença aparece em um dos momentos mais emblemáticos da história de Christiane.

É difícil separar a imagem de Bowie daquela Berlim retratada em Christiane F.. Sua música parece pertencer naturalmente àquele cenário.

Christiane F do filme vê um cartaz do show de David Bowie




Bowie e Christiane F.: uma ligação que vai além da trilha sonora


Bowie não está no filme simplesmente porque sua música combinava com a atmosfera da história. A presença do cantor tinha uma relação direta com a própria história de Christiane F.

Para Christiane, Bowie era um ídolo. Ela foi a um de seus shows e, segundo o relato que deu origem ao livro, foi depois daquela noite que experimentou heroína pela primeira vez.

Anos mais tarde, quando sua história foi transformada em filme, o mesmo cantor voltou a aparecer dentro da narrativa — desta vez, através de sua própria imagem e de suas músicas.

Existe algo particularmente simbólico nessa coincidência. A música que fazia parte do universo de Christiane quando ela era apenas uma adolescente acabou se tornando parte inseparável da história que seria contada sobre sua vida.

Por isso, Bowie funciona em Christiane F. quase como uma ponte entre dois mundos: de um lado, o universo da música, da juventude e da Berlim dos anos 1970; de outro, a trajetória cada vez mais destrutiva de Christiane e seus amigos.

Depois que Wir Kinder vom Bahnhof Zoo transformou Christiane em uma celebridade internacional, a relação com Bowie ganhou um capítulo completamente diferente. O cantor que ela havia admirado como adolescente passou a fazer parte do círculo de pessoas que ela conhecia pessoalmente.

Abaixo uma foto do cantor ao lado de Christiane F. (à direita da imagem).

David Bowie e a Christiane F. da vida real




David Bowie deixa um legado também em Christiane F.


David Bowie morreu neste domingo, 10 de janeiro de 2016, aos 69 anos, após uma batalha de 18 meses contra o câncer. A notícia foi divulgada por sua família nas redes sociais e pegou fãs do mundo inteiro de surpresa.

A morte aconteceu apenas dois dias depois do lançamento de seu último álbum, Blackstar, lançado em 8 de janeiro, justamente no dia de seu aniversário.

Ao longo de uma carreira de décadas, Bowie passou por diferentes estilos e personagens, sempre se reinventando. Sua passagem por Berlim, no final dos anos 1970, marcou profundamente sua produção musical e ajudou a construir a imagem da cidade que hoje também está tão ligada à sua história.

Para quem conhece a história de Christiane F., entretanto, existe ainda uma ligação muito mais particular.

Bowie não foi apenas um dos artistas presentes na trilha sonora do filme. Ele já fazia parte da história de Christiane antes que aquela história chegasse ao cinema.

Talvez seja justamente isso que torne sua presença em Christiane F. tão marcante. A música de Bowie não está ali apenas para criar uma atmosfera. Ela está ligada às memórias, aos lugares e aos acontecimentos que formaram a história daquela adolescente de Berlim.

Hoje, com a morte de David Bowie, essa ligação ganha um significado ainda mais triste.

Descanse em paz, David Bowie.

David Bowie no filme Christiane F.

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