Blog

30/09/2012

. .

A Sound hoje: o que aconteceu com a discoteca de Christiane F.

Avenida Genthiner Straße, 26. A Sound funcionava nas portas à esquerda da loja decorada com plantas. Infelizmente, o imóvel sofreu danos devido a um incêndio ocorrido em 1988.


Ver mapa maior



A seguir, o vídeo mais legal de todos os tempos. Simplesmente épico. Vamos entrar na Sound!



No vídeo, é possível ver a calçada do lado de fora, a escada que leva ao subsolo, algumas salas, os armários aonde os frequentadores guardavam seus pertences e o encanamento dos antigos banheiros, aonde muitos (inclusive Christiane F. e seu namorado, Detlef) se picavam.


• Sound: a discoteca de Berlim frequentada por Christiane F nos anos 70.
•
A Sound nos anos 1980: como era a discoteca de Christiane F.
• A Sound nos anos 2000: a história da discoteca de Christiane F.
• Sound Dillingen: a nova discoteca ligada à história de Christiane F.

Depois de passar por vários proprietários e sobreviver a um incêndio, o imóvel, hoje abandonado, é o retrato da decadência. Andar pelos porões escuros e sujos da Sound é triste, quando sabemos o quanto esse local afetou a vida de muitos de seus frequentadores -- muitas vezes, definitivamente.

Ter a possibilidade de entrar na Sound é tão estranho como sentir saudade de uma vida que não foi nossa.

26/09/2012

.

A Sound nos anos 1980: como era a discoteca de Christiane F.

A Sound foi uma descoteca alemã da qual Christiane F. e seus amigos eram frequentadores assíduos. Foi lá que ela conheceu Detlef e foi lá que ele se picou pela primeira vez.

Depois de ser fechada nos anos 70 devido a problemas burocráticos, foi reaberta nos anos 80, sob nova direção e manteve-se no habitual número enorme de visitantes.


• Leia mais sobre a discoteca Sound nos anos 70


Discoteca Sound
Fachada da discoteca Sound na Genthiner Straße, em Tiergarten



Discoteca Sound Christiane F.
Cartazes da Sound na rua Hauptstraße, em Schöneberg, Berlim (abril de 1983). Photo by Gerhard Doerries



Discoteca Sound Berlim
Ingresso da Sound datado de 1987




Simultaneamente, bem longe de Berlim, em Dillingen, no Saarland, foi aberta uma filial da casa noturna, que possuía o mesmo estilo de festa e de música e fazia o mesmo sucesso entre os jovens.

Discoteca Sound Alemanha
Fachada da discoteca Sound em Dillingen



Enquanto isso, a "original", localizada na Genthiner Straße, em Berlim, foi completamente destruída por um incêndio em 1988, momento em que já tinha mudado de proprietário.

Houve várias tentativas de reabrir a Sound em Berlim. Uma delas ocorreu em um imóvel na Avenida Miraustraße, 16:


Ver Christiane F num mapa maior



Em Dillingen, a discoteca mudou de endereço e passou a funcionar na Rua Bismarck, 90, próximo à academia Studio 90 Fitnesslounge:



As tentativas de manter o clube funcionando falhavam e a Sound sempre acabava tendo que fechar suas portas.

Mais sobre a Discoteca Sound:
• Sound: a discoteca de Berlim frequentada por Christiane F nos anos 70.
•
A Sound nos anos 2000: a história da discoteca de Christiane F.
• A Sound hoje: o que aconteceu com a discoteca de Christiane F.
• Sound Dillingen: a nova discoteca ligada à história de Christiane F.

24/09/2012

.

Sound: a discoteca de Berlim frequentada por Christiane F.

A primeira vez que Christiane F. fumou haxixe foi em sua própria casa, ao som de David Bowie, acompanhada de Kessi e de dois amigos, Piet e Charly. Pronto: agora ela fazia parte da turma.


• Saiba mais sobre Kessi
• Por que Christiane ficou amiga de Kessi?


A Sound (ou S.O.U.N.D.) foi uma discoteca berlinense existente na década de 70 e 80. Seus cartazes anunciavam que era a Europas Modernste Discothek, isto é, A Discoteca Mais Moderna da Europa. De fato, a Sound merecia esta classificação, uma vez que já naquela época possuía tecnologias de projeção de laser, máquina de fumaça e uma sala de cinema. Além disso, as mãos dos frequentadores eram carimbadas com uma tinta que só podia ser vista na luz negra, uma baita novidade.


Discoteca Sound
Nos anos 70, Berlim foi salpicada com os cartazes multicoloridos do Sound, a Discoteca Mais Moderna da Europa



Era o lugar da moda entre os jovens que viviam em Berlim. A boate foi inaugurada em junho de 1971, na Avenida Genthiner (Genthiner Straße), número 26, no bairro de Tiergarten, próximo ao metrô Kurfürstenstraße. Abria todos os dias, às 19h. Houve uma época em que Christiane F. estava lá todos os finais de semana.

No início, a discoteca se chamava "CENTRUM 2000", depois "Unlimited!", tendo sido renomeada para Sound em 1973. Lá tocava rock progressivo e música experimental, além de música contemporânea e, é claro, muito David Bowie. Também havia apresentações de bandas ao vivo.


Discoteca Sound
Fachada do Sound, na Estrada Genthiner, 26



A Sound ficou muito famosa após o lançamento do livro "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..." e sua popularidade aumentou como local de tráfico e consumo de drogas. Por esta razão, durante um tempo, a Sound perdeu sua licença até mesmo para comercializar bebidas alcoólicas.

Apesar da proibição, os frequentadores ainda eram capazes de conseguir heroína e próximo dali ainda havia prostituição de adolescentes.


Discoteca Sound Berlim
Discoteca Sound Alemanha

Devido a problemas fiscais, a Sound foi fechada e reaberta somente nos anos 80, sob nova gestão.

Mais sobre a Discoteca Sound:
• A Sound nos anos 1980: como era a discoteca de Christiane F.
• A Sound nos anos 2000: a história da discoteca de Christiane F.
• A Sound hoje: o que aconteceu com a discoteca de Christiane F.
• Sound Dillingen: a nova discoteca ligada à história de Christiane F.

22/09/2012

.

Christiane F. e Kessi: a amizade entre Christiane e Susanne Kuhn

Christiane F. aos 15 anos
Christiane aos 15 anos, em 1978


Susanne Kuhn, mais conhecida como Kessi, é a primeira amiga importante de Christiane F. que aparece no livro. Depois vieram Detlef, Babsi, Stella, as Tinas, mas elas são assunto para posts futuros.

Christiane e Kessi se conheceram no colégio Helmholtz-Oberschule Gesamtschule, e foi com ela que Christiane começou a frequentar o Centro de Jovens e depois a discoteca Sound. Foi com ela também que Christiane começou a se drogar.


• Leia mais e veja fotos de Kessi
• Fotos do colégio onde Christiane F. e Kessi estudaram


Christiane F. tinha então, onze ou doze anos de idade. Esta fase marca a transição da infância para a adolescência e representa o início de um busca por emancipação e individualidade. É neste momento que a criança passa por uma série de alterações psicológicas onde começa a dar mais importância às amizades, se agrupa com amigos que possuem algo em comum e passa a ser mais reflexiva e questionadora quanto aos modelos adquiridos pelos pais. São os primeiros passos da busca pela independência e da formação de sua personalidade.

Até então, Christiane F. sofria em casa com um pai negligente, irresponsável e violento. Por vezes apanhava ou levava sermões por pequenas travessuras ou acidentes. Dessa forma, em seu ambiente familiar, é provável se sentisse, inconscientemente, subjugada e desrespeitada.


• Saiba mais sobre Dieter Felscherinow, o pai de Christiane F.


Por este motivo, Christiane F. acabou por desenvolver grande necessidade de se afirmar: já aos oito anos de idade, como mecanismo de defesa, Christiane se impunha e assumia posturas de comando sobre as outras crianças, como podemos ver no seguinte trecho do livro "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída...", sobre as brincadeiras nos elevadores do Conjunto Gropius:

"(...) brincar com os elevadores. A primeira coisa a fazer, evidentemente, era amolar uma outra criança. Pegávamos uma delas, metíamo-la à força dentro do elevador e apertávamos todos os botões, enquan to impedíamos o outro elevador de funcionar."


Por vezes, a própria Christiane foi a vítima desta brincadeira, que a colocava em condição de fraqueza, até que aprendeu a se defender, assumiu posição de poder e passou a fazer o mesmo com outras crianças menores e mais ingênuas.

Em outro trecho, Christiane demonstra o controle que ela e uma amiga exerciam sobre Anette, sua irmã mais nova:

"Nós lhe dávamos ordens: lavar a louça, tirar o pó, enfim, fazer todo o serviço doméstico de que nossos pais nos haviam encarregado. Depois disso, pegávamos nossas bonecas, trancávamos minha irmãzinha no apartamento e íamos passear. Nós só a deixávamos livre quando ela terminava todo o trabalho."


Em várias outras partes do livro, já aos doze anos de idade, Christiane demonstra estar acostumada a se afirmar perante os colegas de classe e professores, muitas vezes agredindo-os ou perturbando as aulas. Queria ser poderosa como seu pai e exercer controle sobre as pessoas.

Christiane amava o poder e foi, justamente, o poder de Kessi que despertou sua atenção. No livro, é possível perceber a grande admiração que sente por ela desde o momento em que se conhecem, afinal de contas, Kessi já tinha seios de verdade e parecia ser dois anos mais novas do que os outros. Além disso, ela tinha um namorado, se comportava como a líder da turma e todos a respeitavam. Christiane queria ser sua amiga.

"Meu dia de glória foi aquele em que Kessi me autorizou, finalmente, a sentar-me ao seu lado."


Christiane tinha por objetivo agradar Kessi, e é natural que copiasse o comportamento da amiga e fizesse tudo o que ela sugerisse. Implorou para que sua mãe lhe comprasse um sutiã, começou a usar maquiagem e a matar aula. Passou a frequentar, também, o Centro de Jovens, aonde conheceu vários outros jovens tão descolados e poderosos quanto Kessi. Christiane queria ser como eles.

Um dia, apareceram no Centro com um enorme cachimbo contendo haxixe, um derivado da maconha. Acenderam e o cachimbo começou a circular. Todos tragaram, inclusive Kessi. Na primeira vez, assustada, Christiane recusou. No entanto, se quisesse fazer parte do grupo, não poderia continuar recusando por muito tempo.

19/09/2012

.

Christiane F. e o LSD: drogas na história de Bahnhof Zoo

Christiane F.A situação em família ficou mais difícil quando a irmã de Christiane foi morar com o pai. Agora eram somente ela, sua mãe e Klaus, seu padrasto.

Não suportando mais permanecer em casa durante o dia, pela presença de Klaus, e cada vez mais ligada a seus amigos, Christiane F. passou a contar as horas para ir ao Centro de Jovens. Queria passar o máximo de tempo fora de casa.


"Esperava, impacientemente, pelas cinco horas, a hora em que abria o Centro de Jovens. Às vezes encontrava-me com Kessi e com alguns amigos do bando no início da tarde."


• O Centro de Jovens
• O fechamento do Centro de Jovens


Aos treze anos, Christiane fumava haxixe todas as tardes, mas somente fumar já não era mais suficiente: também bebia vinho ou cerveja para se desligar da realidade que tanto a atormentava.

Assim como na primeira vez em que fumara haxixe, Christiane F. tomou LSD pela primeira vez por curiosidade e necessidade de se inserir no grupo. Queria ser igual àqueles que ela tanto admirava. Sua amiga Kessi já tinha tomado um comprimido e estava "viajando". Um amigo deu-lhe um comprimido, que ela tomou no banheiro do Centro de Jovens. Sua primeira viagem só fez efeito quando estava voltando para casa, em Rudow.

"Tomamos o metrô e, aí sim, a coisa começou a funcionar. Uma verdadeira loucura! Tive a sensação exata de estar dentro de uma lata de conserva e que alguém remexia lá dentro com uma colher gigante. O barulho do metrô, quando no túnel, era de enlouquecer. Insuportável mesmo. Pensei que não fosse agüentar."

16/09/2012

. .

O fechamento do Centro de Jovens de Gropiusstadt

Atualizado em 06/10/2026

O Haus der Mitte, em Gropiusstadt, ocupa um lugar importante na história de Christiane F.. Foi através de sua amiga Kessi que Christiane começou a frequentar o centro de jovens e entrou em contato com o ambiente no qual começaria a experimentar drogas.

No subsolo do centro funcionava o Jugendkeller, um clube que chegou a ser uma das mais importantes instalações de lazer para jovens da região de Neukölln.

Com a expansão do consumo de heroína entre os adolescentes de Berlim Ocidental durante a década de 1970, porém, o Haus der Mitte também passou a enfrentar um problema cada vez mais grave.

Em dezembro de 1976, a situação levou à suspensão temporária das atividades juvenis abertas do centro.

Escada de acesso ao Jugendkeller do Haus der Mitte, fechado temporariamente em 1976


10 de dezembro de 1976

Uma notícia publicada em 10 de dezembro de 1976 registrou o fechamento do espaço juvenil do Haus der Mitte.

Segundo o relato, o centro havia sido, nos anos anteriores, uma das instalações de lazer para jovens mais importantes de Neukölln.

O responsável pelo Haus der Mitte, pastor Jürgen Quandt, apontou como uma das razões para a decisão a rápida expansão do consumo de heroína entre os jovens da região.

O problema das drogas não era novo no centro. Segundo Quandt, a instituição já lidava com ele havia anos, mas a situação havia se agravado especialmente durante os seis meses anteriores.

Naquele momento, pelo menos 30 frequentadores eram considerados usuários de drogas pesadas.



Por que o Jugendkeller foi fechado?

O Haus der Mitte já tentava lidar diretamente com o problema das drogas, inclusive através de aconselhamento. A dimensão que a situação havia alcançado, entretanto, tornou difícil continuar normalmente com as atividades juvenis abertas.

A decisão foi então suspender essas atividades temporariamente.

Esse detalhe é importante porque a história acabou sendo simplificada ao longo dos anos como se todo o Haus der Mitte tivesse sido definitivamente fechado em 1976.

Não foi isso que aconteceu.

O que ocorreu naquele momento foi a suspensão das atividades juvenis abertas ligadas ao Jugendkeller diante da crise provocada pelo consumo de drogas entre parte de seus frequentadores.



O Haus der Mitte e Christiane F.

O episódio aconteceu justamente no período em que o consumo de drogas entre adolescentes se tornava uma parte cada vez mais visível da realidade retratada posteriormente em Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída....

Para Christiane, o Haus der Mitte havia sido inicialmente um lugar de convivência. Ela chegou ao centro através de Kessi e encontrou ali música, adolescentes mais velhos e um grupo ao qual queria pertencer.

Foi também nesse ambiente que as drogas começaram a entrar em sua vida.

A experiência no Haus der Mitte pertence ao início de uma trajetória que depois passaria pela Sound, pela heroína e pela Bahnhof Zoo.



Um problema maior que o Haus der Mitte

O fechamento do Jugendkeller não significou o desaparecimento do problema.

A crise das drogas entre jovens não estava restrita ao Haus der Mitte. O consumo de heroína havia se tornado um problema mais amplo em partes de Berlim Ocidental, e o fechamento de um ponto de encontro podia simplesmente deslocar grupos de jovens para outros locais.

Por isso, o registro de dezembro de 1976 é interessante não apenas para reconstruir a biografia de Christiane F., mas também como documento sobre o ambiente social em que sua história aconteceu.

O Haus der Mitte não criou sozinho aquele cenário — e seu fechamento não poderia fazê-lo desaparecer.



O Haus der Mitte não fechou definitivamente em 1976

O centro continuou existindo depois daquele episódio. O Haus der Mitte também esteve posteriormente relacionado a iniciativas de aconselhamento e prevenção contra drogas.

A instituição permaneceu em atividade por muitos anos. Seus programas só seriam encerrados no final da década de 1990, e os edifícios originais acabariam sendo demolidos posteriormente.

O endereço histórico do Haus der Mitte era Lipschitzallee 50, em Gropiusstadt, Berlim.

Leia também: Haus der Mitte — o Centro de Jovens de Gropiusstadt frequentado por Christiane F.

Fonte histórica: Der Tagesspiegel, Berliner Chronik, 10 de dezembro de 1976.

Leia mais artigos sobre Gropiusstadt:
Carregando...

14/09/2012

. .

O Centro de Jovens de Gropiusstadt e a história de Christiane F.

Atualizado em 06/10/2026

Antes da Sound, da Bahnhof Zoo e dos lugares que se tornariam mundialmente associados à história de Christiane F., houve outro endereço importante em sua adolescência: o Haus der Mitte, em Gropiusstadt.

Foi através de sua amiga Kessi que Christiane começou a frequentar o centro de jovens. O lugar representou uma mudança importante em sua vida: ali, ela passou a conviver com adolescentes mais velhos, entrou em contato com uma nova turma e começou a experimentar drogas.

O Haus der Mitte, portanto, ocupa um lugar importante na sequência de acontecimentos narrada em Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída...: Gropiusstadt, Kessi, Haus der Mitte, Sound e, posteriormente, Bahnhof Zoo.



O que era o Haus der Mitte?

O Evangelisches Zentrum Haus der Mitte era um centro comunitário protestante localizado em Gropiusstadt, no então lado ocidental de Berlim.

Mais do que uma instituição religiosa tradicional, o espaço oferecia atividades para a comunidade e tornou-se um importante ponto de encontro para os jovens da região.

Fachada do Evangelisches Zentrum Haus der Mitte em Gropiusstadt, Berlim
No subsolo funcionava o Jugendkeller — literalmente, "porão dos jovens" —, um clube onde adolescentes podiam se encontrar e ouvir música.

O espaço chegou a receber centenas de jovens e tornou-se uma das instalações de lazer mais conhecidas entre os adolescentes de Gropiusstadt.

O endereço do Haus der Mitte era Lipschitzallee 50, 12353 Berlin, em Gropiusstadt.

Placa do Haus der Mitte na Lipschitzallee 50 em Gropiusstadt, Berlim
Na fotografia acima, é possível ver atrás da grade a placa do Haus der Mitte, onde aparece o endereço Lipschitzallee 50.



Christiane F., Kessi e o Haus der Mitte

Christiane conheceu o centro através de Kessi, amiga que havia conhecido na escola em Gropiusstadt.

A amizade aproximou Christiane de um novo grupo de adolescentes e de um ambiente que lhe parecia muito mais interessante do que sua rotina anterior.

No livro, Christiane descreve o Haus der Mitte como um lugar administrado pela Igreja Protestante onde os jovens se reuniam. No subsolo havia uma espécie de discoteca, chamada simplesmente de "clube".

Oficialmente, a entrada era permitida apenas a partir dos 14 anos. Kessi, porém, tinha acabado de completar 13 quando começou a frequentá-lo com Christiane.

Vista do Haus der Mitte, centro de jovens de Gropiusstadt em Berlim
O que atraía Christiane não eram apenas as drogas. O Haus der Mitte representava também amizade, música, liberdade e pertencimento.

Era um ambiente onde ela podia conviver com adolescentes mais velhos e fazer parte de uma turma. Aos poucos, porém, as drogas também passaram a fazer parte daquela experiência.

Foi nesse período que Christiane começou a experimentar drogas, dando início a um processo que se tornaria progressivamente mais grave nos anos seguintes.



O Jugendkeller: o clube no subsolo

Uma das partes mais interessantes do Haus der Mitte era justamente o seu clube juvenil, localizado no subsolo.

Uma escada levava até o Jugendkeller, espaço frequentado pelos adolescentes da região.

Escada de acesso ao Jugendkeller no subsolo do Haus der Mitte em Gropiusstadt
Haus der Mitte
A escada levava ao clube no subsolo do Haus der Mitte.

Com o passar do tempo, porém, o consumo de drogas entre parte dos frequentadores tornou-se cada vez mais evidente. A situação se agravou especialmente com a expansão do consumo de heroína entre jovens de Neukölln durante a década de 1970.

Em 1976, o problema atingiria um ponto crítico.



O fechamento do Jugendkeller em 1976

Em dezembro de 1976, as atividades juvenis abertas do Haus der Mitte foram temporariamente suspensas diante do agravamento do problema das drogas.

Uma notícia publicada em 10 de dezembro de 1976 registrou que, segundo o pastor Jürgen Quandt, responsável pelo centro, havia ocorrido uma rápida expansão do consumo de heroína entre os jovens de Neukölln.

O Haus der Mitte já enfrentava problemas relacionados às drogas havia algum tempo, mas a situação teria piorado consideravelmente nos seis meses anteriores.

Segundo o relato da época, pelo menos 30 frequentadores do centro eram considerados usuários de drogas pesadas.

É importante fazer uma distinção em relação às versões antigas deste artigo: não foi todo o Haus der Mitte que deixou definitivamente de funcionar em 1976. A suspensão atingiu as atividades juvenis abertas, associadas ao Jugendkeller, em resposta à crise que se desenvolvia naquele momento.

Leia também: O fechamento do Centro de Jovens de Gropiusstadt em 1976



O que aconteceu com o Haus der Mitte?

O Haus der Mitte continuou existindo depois dos acontecimentos de 1976. Posteriormente, o local também esteve ligado a iniciativas de aconselhamento e prevenção relacionadas às drogas.

A instituição permaneceu em atividade por muitos anos, mas seus programas acabaram encerrados no final da década de 1990. Os edifícios originais foram posteriormente demolidos.

Assim, o Haus der Mitte frequentado por Christiane F. durante sua adolescência não existe mais em sua forma original.

Seu antigo endereço, porém, permanece registrado: Lipschitzallee 50, em Gropiusstadt.



A importância do Haus der Mitte na história de Christiane F.

É fácil resumir o Haus der Mitte apenas como o lugar onde Christiane começou a experimentar drogas. Mas sua importância na história é maior.

O centro representa uma das primeiras etapas da transformação de Christiane durante a adolescência: a amizade com Kessi, o desejo de pertencer a um grupo, o contato com adolescentes mais velhos, a música, as primeiras drogas e uma independência cada vez maior em relação à família.

Depois do Haus der Mitte, o universo de Christiane se expandiria para além de Gropiusstadt.

Viria a Sound, então uma das discotecas mais famosas de Berlim. Depois, a heroína. E, finalmente, a Bahnhof Zoo, que acabaria se tornando mundialmente associada ao nome de Christiane F.

Mas uma parte importante dessa história começou muito antes da Bahnhof Zoo.

Começou em Gropiusstadt — e o Haus der Mitte foi um dos lugares centrais dessa fase.

Leia mais artigos sobre Gropiusstadt:
Carregando...

11/09/2012

.

Susanne Kuhn, a Kessi amiga de Christiane F.

Atualizado em 06/10/2026

Não existe muita informação pública sobre Susanne Kuhn, mais conhecida pelos leitores de Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída... como Kessi. Ainda assim, ela teve um papel importante no início da adolescência de Christiane F. e aparece justamente no momento em que Christiane começa a descobrir um mundo fora de casa, fazer novas amizades, frequentar clubes e experimentar drogas.

As duas se conheceram na escola em Gropiusstadt, na então Helmholtz-Oberschule. Kessi logo se tornou uma das amigas mais próximas de Christiane.

Susanne Kuhn, a Kessi, amiga de Christiane F. na adolescência

Susanne Kuhn, a Kessi




Quem era Kessi?

Kessi é o nome usado no livro para Susanne Kuhn, amiga de Christiane durante os primeiros anos de sua adolescência em Gropiusstadt.

A amizade entre as duas é importante porque Kessi aparece em um período de transição na vida de Christiane. Ao lado dela, Christiane começou a explorar uma vida social diferente daquela que conhecia até então.

Foi também através de Kessi que Christiane passou a frequentar o Evangelisches Zentrum Haus der Mitte, centro de jovens protestante de Gropiusstadt. No subsolo do local funcionava o Jugendkeller, um clube frequentado por adolescentes da região.

As duas ainda eram muito jovens. Segundo o relato de Christiane, a entrada no clube era oficialmente permitida a partir dos 14 anos, enquanto Kessi tinha acabado de completar 13.

Nesse ambiente, Christiane passou a conviver com adolescentes mais velhos e começou a experimentar drogas.



A amizade de Kessi e Christiane F.

Durante algum tempo, Kessi foi uma das melhores amigas de Christiane. As duas compartilhavam não apenas a escola, mas também as descobertas típicas daquela fase: música, novos lugares, novas amizades e o desejo de conquistar mais independência.

Kessi e Christiane F. juntas durante a adolescência em Berlim

Kessi e Christiane F. durante a adolescência


Mas essa liberdade também passou a envolver o consumo de drogas. A amizade das duas acabaria sendo interrompida depois de um episódio narrado por Christiane no livro.



A noite em que a mãe de Kessi encontrou as duas

Christiane e Kessi haviam dito que passariam a noite em segurança na casa de Christiane. Na realidade, estavam fora de casa.

Por volta das dez da noite, a mãe de Kessi encontrou as duas no metrô. Kessi estava dormindo em um banco, sob efeito de drogas, e acordou passando mal.

Ao perceber o estado da filha, sua mãe reagiu imediatamente e posteriormente proibiu Kessi de continuar andando com Christiane.

Anos depois, ao reconstruir sua adolescência no livro, Christiane interpretou aquela intervenção como um momento decisivo para a amiga:

"Esse par de bofetadas na estação de metrô provavelmente evitou muita coisa. Sem ele, Kessi teria, sem dúvida, e antes ainda que eu, aterrissado na "cena" e na prostituição de crianças."

Para Christiane, portanto, a reação da mãe de Kessi pode ter impedido que a amiga avançasse pelo mesmo caminho que ela seguiria pouco tempo depois.



Kessi e Christiane seguiram caminhos diferentes

A separação marcou uma diferença importante entre as trajetórias das duas garotas.

Enquanto Christiane continuou se envolvendo cada vez mais com drogas, posteriormente passando à heroína e entrando na cena da Bahnhof Zoo, Kessi conseguiu se afastar daquele ambiente ainda jovem.

É justamente por isso que sua presença na história de Christiane é tão interessante. Durante algum tempo, as duas estiveram muito próximas e compartilharam parte das mesmas experiências, mas seus caminhos acabaram tomando direções completamente diferentes.

Kessi e Christiane F. juntas em um passeio de lancha
Kessi e Christiane F. em um passeio de lancha




O que aconteceu com Kessi?

Ao contrário de Christiane F., Kessi desapareceu quase completamente da vida pública. Há muito pouca informação disponível sobre sua vida adulta, o que também significa que é preciso ter cuidado com afirmações e rumores sobre o que aconteceu com ela depois dos acontecimentos narrados no livro.

Uma das raras aparições posteriores de Susanne Kuhn ocorreu em uma reportagem da Spiegel TV, em 1995, muitos anos depois de sua adolescência com Christiane.

Susanne Kuhn, a Kessi, em reportagem da Spiegel TV em 1995
Kessi em reportagem da Spiegel TV, em 1995


A reportagem é um dos poucos registros públicos conhecidos de Kessi já adulta. Depois disso, informações confiáveis sobre sua vida são escassas.

E talvez isso seja justamente uma das diferenças mais marcantes entre as duas antigas amigas. Christiane tornou-se uma figura conhecida internacionalmente depois da publicação de Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, enquanto Susanne Kuhn pôde levar uma vida muito mais distante da exposição pública.



Por que Kessi é importante na história de Christiane F.?

Kessi aparece relativamente cedo na história, mas representa um momento fundamental da adolescência de Christiane.

É através dessa amizade que vemos Christiane se afastando progressivamente do universo da infância e entrando em uma nova vida social. Kessi está ligada à escola em Gropiusstadt, ao Haus der Mitte, às primeiras experiências com drogas e à descoberta de um mundo que, naquele momento, parecia representar liberdade e pertencimento.

As duas começaram parte desse caminho juntas.

A diferença é que Kessi conseguiu sair dele antes que fosse tarde demais.

09/09/2012

. .

Yo, Christiane F. - Hijos de la droga

Yo, Christiane F. Hijos de la droga
"Yo, Christiane F - Hijos de la droga"


Na Espanha, nosso livro favorito foi lançado pela editora Círculo de Lectores e nomeado Yo, Christiane F - Hijos de la droga, cuja tradução é "Filhos da droga".

A capa desta edição, lançada na década de 80, foi ilustrada com uma foto da Christiane F. real, após sua identidade ser revelada para a mídia.

07/09/2012

.

Klaus, o padrasto de Christiane F.

Atualizado em 06/10/2026

Após a separação dos pais de Christiane F., outro homem passou a fazer parte da vida da família: Klaus, um jovem amigo de seu pai que acabaria se tornando companheiro de sua mãe.

Segundo o relato de Christiane em Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..., Klaus apareceu inicialmente no apartamento da família para procurar seu pai, com quem pretendia sair. Dieter já havia ido embora, porém, e a mãe de Christiane convidou Klaus para entrar. Ele era bem mais jovem que o pai das meninas — tinha pouco mais de vinte anos — e, durante aquela visita, acabou convidando a mãe de Christiane para jantar.

No início, Christiane não reagiu simplesmente com ciúmes ou rejeição ao novo relacionamento. Pelo contrário: ela se lembrava de ter ficado contente ao perceber que a mãe estava feliz novamente depois do difícil período que acompanhou a separação.

Klaus começou a visitar a família com mais frequência. Certa vez, Christiane voltou para casa e viu, sem ser notada, Klaus beijando sua mãe. Ela não contou a ninguém o que havia presenciado, nem mesmo à irmã, Anette, com quem normalmente dividia praticamente tudo.

Klaus continuava tratando bem as meninas e, principalmente, a mãe delas. Christiane percebeu que a mãe voltara a rir, chorava menos e começava novamente a fazer planos para o futuro. Entre esses planos estava uma nova casa, onde as duas filhas teriam seu próprio quarto.

Depois do divórcio, Christiane, Anette e a mãe foram morar com Klaus em Rudow, uma estação de metrô depois de Gropiusstadt.

Mapa de Gropiusstadt e Rudow, regiões de Berlim ligadas à infância de Christiane F.
Mapa da região: em amarelo, o colégio de Christiane F.; em rosa, a rua onde morava em Gropiusstadt; a área mais clara destaca o centro de Rudow, seu novo lar.




Christiane F. e Klaus em Rudow

A mudança, entretanto, não representou exatamente o recomeço que a mãe de Christiane imaginava. Segundo as lembranças de Christiane, Klaus continuava sendo gentil, mas sua presença constante começou a incomodá-la. Ela passou a enxergá-lo como alguém que se colocava entre ela e sua mãe e tinha dificuldades em aceitar que aquele jovem assumisse qualquer tipo de autoridade sobre ela.

A própria Christiane reconheceu que passou a agir de maneira cada vez mais agressiva com Klaus e que, algumas vezes, provocava deliberadamente discussões por motivos aparentemente pequenos.

Uma das brigas de que ela se lembrava envolvia o toca-discos que havia ganhado da mãe aos onze anos. Christiane gostava de ouvir seus discos de música disco e outros sucessos juvenis em volume extremamente alto. Certa noite, Klaus entrou no quarto das meninas e pediu que ela abaixasse a música.

Christiane se recusou. Quando Klaus voltou e levantou a agulha do disco, ela tornou a colocá-la e se posicionou diante do aparelho para impedir que ele se aproximasse novamente. Klaus então a segurou e a afastou. Christiane se recordava de ter ficado furiosa quando ele a tocou.

O episódio ajuda a mostrar que a relação entre os dois era mais complicada do que a simples imagem de um “padrasto malvado”. No próprio relato de Christiane, Klaus inicialmente a tratava bem, enquanto ela tinha dificuldades em aceitar o novo lugar que ele passara a ocupar dentro da família — e admitia ter provocado algumas das discussões entre os dois.



Uma família que já vivia em conflito

Klaus entrou na vida de Christiane depois de um período extremamente difícil dentro de casa. Em seu relato sobre a infância em Gropiusstadt, Christiane descreve episódios de violência praticados pelo pai, Dieter Felscherinow, contra as filhas e a mãe.

Depois de um episódio particularmente violento, a mãe deixou temporariamente o apartamento com as duas meninas e os animais da família e decidiu que queria se divorciar.

Foi nesse contexto que começou o relacionamento com Klaus. Para Christiane, portanto, a mudança para Rudow não significava apenas deixar Gropiusstadt: representava mais uma grande transformação na estrutura de uma família que já havia passado por conflitos, violência e separação.

Com o tempo, Anette acabou voltando a viver com o pai. Christiane, por sua vez, não suportava a ideia de fazer o mesmo e permaneceu com a mãe.

Ela passou então a ficar cada vez mais tempo fora de casa. As ruas, os amigos e os lugares que frequentava começaram a ocupar um espaço maior em sua vida justamente durante o início da adolescência — período anterior à entrada de Christiane na cena de drogas de Berlim Ocidental.

Seria simplista, porém, transformar Klaus — ou qualquer outra pessoa da família — em uma explicação única para tudo o que aconteceria depois. O próprio relato de Christiane apresenta um conjunto muito mais complexo de circunstâncias: instabilidade familiar, violência dentro de casa, conflitos da adolescência, o ambiente social da Berlim Ocidental dos anos 1970 e uma busca crescente por pertencimento fora da família.



Quem interpretou Klaus no filme Christiane F.?

No filme Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, lançado em 1981, Klaus foi interpretado pelo ator Uwe Diderich.

Como acontece com outras partes da história, o filme condensa consideravelmente a vida familiar de Christiane. O Klaus mostrado nas telas representa, portanto, apenas uma parte da relação descrita com muito mais detalhes no livro.

As próprias lembranças de Christiane mostram uma relação bastante contraditória: de um lado, ela conseguia perceber que Klaus havia trazido felicidade à mãe depois de um período muito difícil; de outro, tinha cada vez mais dificuldades para aceitar sua presença e seu papel dentro da família.

Essa contradição talvez explique melhor a relação entre os dois do que simplesmente definir Klaus como um bom ou mau padrasto.

Saiba mais sobre a família de Christiane F.:
Carregando...

06/09/2012

. .

Christiane F.: O divórcio dos pais e a vida de adolescente

Depois de um dos surtos de fúria de Dieter Felscherinow, o pai de Christiane F., a mãe tomou uma decisão muito importante:

"Sem dizer quase nada, ela empacotou algumas coisas, pôs o gato numa sacola e me pediu para pôr a coleira em Ajax. E saímos para tomar o metrô. Passamos uns dias na casa de uma colega de trabalho dela. Mamãe nos disse que queria se divorciar."

Christiane, a irmã, Anette Felscherinow, e a mãe passaram alguns dias no apartamento de uma amiga. Depois precisaram retornar para seu próprio apartamento, no Conjunto Gropius.

Mesmo morando sob o mesmo teto, o pai de Christiane F. começou a se afastar da família e quase nunca estava em casa. Sua mãe chorava sempre, pois se via em um beco sem saída, com duas filhas pequenas para criar e sem o apoio de Dieter.

Foi aí que ela conheceu Klaus, um amigo de Dieter. Eles começaram a sair juntos e Klaus aparecia sempre que o pai das meninas estava ausente.


Gropiusstadt de Christiane F.
Diga adeus ao Conjunto Gropius


Não tardaria até que as três fossem morar com ele em seu apartamento em Rudow, uma estação de metrô após o Conjunto Gropius, e Klaus se tornasse padrasto de Christiane F.

Saiba mais sobre a família de Christiane F.:
Carregando...

05/09/2012

. .

Verslag van een junkie II

Verslag van een junkieAo lado, foto de mais uma das capas que o livro "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..." teve (clique na imagem para ampliar).

Esta edição foi lançada na Holanda. Por lá o livro ganhou o nome "Christiane F., verslag van een junkie", que significa "Christiane F., relato de um viciado".


• Confira outras capas do livro ao redor do mundo
• Saiba mais sobre a entrevista que deu origem ao livro

04/09/2012

. .

Verslag van een junkie

Verslag van een junkie
Esta é a capa de uma das edições holandesas do livro, lançado em 1980. Lá ele ganhou o nome de "Christiane F., verslag van een junkie", que, traduzindo literalmente para o português, significa "Christiane F., relato de um viciado".

• Saiba mais sobre a entrevista que deu origem ao livro
• Confira outras capas do livro ao redor do mundo

02/09/2012

.

Helmholtz-Oberschule: a escola de Christiane F. em Gropiusstadt

Na escola de Christiane F., o início de toda sua odisseia. Cristiane foi matriculada no chamado "segundo ciclo", equivalente à quinta ou sexta séries no Brasil, no Helmholtz-Oberschule Gesamtschule, um colégio localizado na área do conjunto Gropius.

"Eu consegui um excelente boletim escolar e estava apta a seguir o segundo ciclo. Inscreveram-me na Escola Polivalente Integrada, do conjunto Gropius."


Escola de Christiane F. em Gropiusstadt

• Saiba mais sobre o Conjunto Gropius
• Gropiusstadt: Placas e proibições
• Conheça o edifício e a rua Joachim-Gottschalk-Weg, onde Christiane F. viveu.
• A escola de Christiane F.


Escola de Christiane F. em Gropiusstadt

O colégio ainda existe com o mesmo nome, localizado na rua Wutzkyallee, na esquina da Joachim-Gottschalk-Weg, rua em que morava Christiane. Navegue através do Google Street View:


Exibir mapa ampliado


"Parti para a guerra. Contra os professores e contra a escola. Queria ser alguém. Existir. O chefe do bando, em nossa classe, era uma menina. Chamava-se Kessi, já tinha seios de verdade. Parecia ter dois anos mais que os outros. Era também mais madura. Todo mundo a respeitava. Eu a admirava. Meu maior desejo era tornar-me sua amiga."

A admiração de Cristiane F. por sua amiga Susanne Kuhn (Kessi) cresce. Christiane se encontra na fase por qual toda menina passa, aonde ter uma melhor amiga é a coisa mais importante do mundo. Kessi fumava, matava aula, conhecia todos os caras legais e frequentava o Centro de Jovens ("Haus der Mitte") as discotecas mais descoladas do momento. Christiane aprendeu tudo bem até demais.

Paginação numerada