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07/09/2012

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Klaus, o padrasto de Christiane F.

Atualizado em 06/10/2026

Após a separação dos pais de Christiane F., outro homem passou a fazer parte da vida da família: Klaus, um jovem amigo de seu pai que acabaria se tornando companheiro de sua mãe.

Segundo o relato de Christiane em Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..., Klaus apareceu inicialmente no apartamento da família para procurar seu pai, com quem pretendia sair. Dieter já havia ido embora, porém, e a mãe de Christiane convidou Klaus para entrar. Ele era bem mais jovem que o pai das meninas — tinha pouco mais de vinte anos — e, durante aquela visita, acabou convidando a mãe de Christiane para jantar.

No início, Christiane não reagiu simplesmente com ciúmes ou rejeição ao novo relacionamento. Pelo contrário: ela se lembrava de ter ficado contente ao perceber que a mãe estava feliz novamente depois do difícil período que acompanhou a separação.

Klaus começou a visitar a família com mais frequência. Certa vez, Christiane voltou para casa e viu, sem ser notada, Klaus beijando sua mãe. Ela não contou a ninguém o que havia presenciado, nem mesmo à irmã, Anette, com quem normalmente dividia praticamente tudo.

Klaus continuava tratando bem as meninas e, principalmente, a mãe delas. Christiane percebeu que a mãe voltara a rir, chorava menos e começava novamente a fazer planos para o futuro. Entre esses planos estava uma nova casa, onde as duas filhas teriam seu próprio quarto.

Depois do divórcio, Christiane, Anette e a mãe foram morar com Klaus em Rudow, uma estação de metrô depois de Gropiusstadt.

Mapa de Gropiusstadt e Rudow, regiões de Berlim ligadas à infância de Christiane F.
Mapa da região: em amarelo, o colégio de Christiane F.; em rosa, a rua onde morava em Gropiusstadt; a área mais clara destaca o centro de Rudow, seu novo lar.




Christiane F. e Klaus em Rudow

A mudança, entretanto, não representou exatamente o recomeço que a mãe de Christiane imaginava. Segundo as lembranças de Christiane, Klaus continuava sendo gentil, mas sua presença constante começou a incomodá-la. Ela passou a enxergá-lo como alguém que se colocava entre ela e sua mãe e tinha dificuldades em aceitar que aquele jovem assumisse qualquer tipo de autoridade sobre ela.

A própria Christiane reconheceu que passou a agir de maneira cada vez mais agressiva com Klaus e que, algumas vezes, provocava deliberadamente discussões por motivos aparentemente pequenos.

Uma das brigas de que ela se lembrava envolvia o toca-discos que havia ganhado da mãe aos onze anos. Christiane gostava de ouvir seus discos de música disco e outros sucessos juvenis em volume extremamente alto. Certa noite, Klaus entrou no quarto das meninas e pediu que ela abaixasse a música.

Christiane se recusou. Quando Klaus voltou e levantou a agulha do disco, ela tornou a colocá-la e se posicionou diante do aparelho para impedir que ele se aproximasse novamente. Klaus então a segurou e a afastou. Christiane se recordava de ter ficado furiosa quando ele a tocou.

O episódio ajuda a mostrar que a relação entre os dois era mais complicada do que a simples imagem de um “padrasto malvado”. No próprio relato de Christiane, Klaus inicialmente a tratava bem, enquanto ela tinha dificuldades em aceitar o novo lugar que ele passara a ocupar dentro da família — e admitia ter provocado algumas das discussões entre os dois.



Uma família que já vivia em conflito

Klaus entrou na vida de Christiane depois de um período extremamente difícil dentro de casa. Em seu relato sobre a infância em Gropiusstadt, Christiane descreve episódios de violência praticados pelo pai, Dieter Felscherinow, contra as filhas e a mãe.

Depois de um episódio particularmente violento, a mãe deixou temporariamente o apartamento com as duas meninas e os animais da família e decidiu que queria se divorciar.

Foi nesse contexto que começou o relacionamento com Klaus. Para Christiane, portanto, a mudança para Rudow não significava apenas deixar Gropiusstadt: representava mais uma grande transformação na estrutura de uma família que já havia passado por conflitos, violência e separação.

Com o tempo, Anette acabou voltando a viver com o pai. Christiane, por sua vez, não suportava a ideia de fazer o mesmo e permaneceu com a mãe.

Ela passou então a ficar cada vez mais tempo fora de casa. As ruas, os amigos e os lugares que frequentava começaram a ocupar um espaço maior em sua vida justamente durante o início da adolescência — período anterior à entrada de Christiane na cena de drogas de Berlim Ocidental.

Seria simplista, porém, transformar Klaus — ou qualquer outra pessoa da família — em uma explicação única para tudo o que aconteceria depois. O próprio relato de Christiane apresenta um conjunto muito mais complexo de circunstâncias: instabilidade familiar, violência dentro de casa, conflitos da adolescência, o ambiente social da Berlim Ocidental dos anos 1970 e uma busca crescente por pertencimento fora da família.



Quem interpretou Klaus no filme Christiane F.?

No filme Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, lançado em 1981, Klaus foi interpretado pelo ator Uwe Diderich.

Como acontece com outras partes da história, o filme condensa consideravelmente a vida familiar de Christiane. O Klaus mostrado nas telas representa, portanto, apenas uma parte da relação descrita com muito mais detalhes no livro.

As próprias lembranças de Christiane mostram uma relação bastante contraditória: de um lado, ela conseguia perceber que Klaus havia trazido felicidade à mãe depois de um período muito difícil; de outro, tinha cada vez mais dificuldades para aceitar sua presença e seu papel dentro da família.

Essa contradição talvez explique melhor a relação entre os dois do que simplesmente definir Klaus como um bom ou mau padrasto.

Saiba mais sobre a família de Christiane F.:
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