O visual do filme "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída" (Wir Kinder vom Bahnhof Zoo) é uma das características mais marcantes do filme de 1981. As jaquetas largas, camisetas, jeans, botas e roupas aparentemente comuns usadas por Christiane, Detlef e seus amigos ajudaram a criar aquela estética crua e extremamente natural que hoje é imediatamente associada ao filme.
E existe uma boa razão para isso: boa parte daquele guarda-roupa não veio de grandes marcas ou de um departamento de figurino cheio de peças produzidas especialmente para o cinema.
Muitas das roupas vieram literalmente do armário da figurinista Myrella Mondriaan, de seus amigos e familiares e de lojas de artigos usados de Berlim.
Anos depois das filmagens, Myrella compartilhou fotografias e algumas histórias dos bastidores de Christiane F., revelando detalhes curiosíssimos sobre a criação do figurino de Natja Brunckhorst e dos outros personagens.
Myrella Mondriaan foi responsável pelo figurino de "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída" (Wir Kinder vom Bahnhof Zoo), trabalhando em conjunto com a equipe comandada pelo diretor Uli Edel.
Na época das filmagens, Mondriaan também trabalhava para a Schaubühne, em Berlim.
Apesar de ser responsável pelos figurinos, ela não tinha liberdade absoluta sobre as roupas que apareciam diante das câmeras: segundo suas lembranças, Uli Edel tinha a palavra final sobre os figurinos, e nem sempre os dois concordavam com as escolhas.
O resultado, entretanto, acabou se tornando uma parte importantíssima da identidade visual do filme.
Myrella Mondriaan, a figurinista do filme Christiane F.
Uma das coisas mais interessantes reveladas por Myrella é justamente a origem das roupas.
Em vez de criar um guarda-roupa excessivamente elaborado para os personagens, muitas peças utilizadas no filme vieram do próprio armário de Myrella Mondriaan, de amigos e de familiares.
Outras foram encontradas em lojas de artigos usados e brechós de Berlim.
Essa mistura provavelmente ajudou a produzir uma das maiores qualidades do figurino de Christiane F.: as roupas não parecem figurinos.
Christiane e seus amigos parecem realmente adolescentes que saíram pelas ruas de Berlim usando aquilo que tinham no armário — às vezes repetindo peças, combinando roupas de maneira imperfeita e usando casacos grandes demais.
É justamente essa falta de aparência "produzida" que torna o visual do filme tão convincente.
Entre as peças encontradas em lojas de segunda mão estava uma das mais reconhecíveis do filme: a jaqueta de David Bowie usada por Christiane.
Segundo Mondriaan, a peça veio de uma dessas lojas sociais de Berlim e foi ela própria quem aplicou as letras na jaqueta.
É um detalhe pequeno, mas fascinante considerando a importância de David Bowie na história de Christiane F. e no próprio filme.
Décadas depois, aquela simples jaqueta customizada se tornou uma das peças mais imediatamente associadas ao visual de Natja Brunckhorst como Christiane.
E pensar que ela começou como uma roupa usada encontrada em Berlim.
Vestir Natja Brunckhorst, que tinha apenas 13 anos durante as filmagens, apresentou outro problema.
Myrella recorda que Natja era extremamente pequena e magra, o que dificultava fazer determinadas roupas assentarem da maneira desejada diante das câmeras.
Segundo a figurinista, a equipe chegou a produzir pequenas próteses de silicone para preencher algumas das camisetas usadas pela atriz.
Ela contou:
"Natja era tão pequena que tivemos que fazer seios falsos de silicone para ela, para que conseguisse preencher um pouco melhor as camisetas. Ela era tão magra que muitas vezes precisava usar roupa térmica por baixo do jeans."
A roupa térmica tinha também uma função bastante prática.
As filmagens aconteceram em Berlim em novembro de 1980 — definitivamente não a época mais agradável do ano para passar horas gravando cenas externas usando apenas jeans e roupas relativamente leves.
Outro detalhe visual muito interessante estava no cabelo de Christiane.
Para ajudar a representar a passagem do tempo ao longo da história, o cabelo de Natja Brunckhorst era trabalhado constantemente durante as filmagens.
Segundo Myrella, o cabelo de Natja recebia diariamente aplicações de spray colorido.
O efeito propositalmente opaco e desbotado que pode ser percebido em algumas cenas é consequência desse processo.
Isso ajuda a explicar por que a cor e a aparência do cabelo de Christiane parecem mudar gradualmente durante o filme — especialmente aquele tom avermelhado e desgastado que acabou se tornando uma das características mais reconhecíveis da personagem.
As fotografias guardadas por Myrella Mondriaan também mostram alguns encontros interessantes da equipe durante a produção.
Em uma delas aparecem Myrella Mondriaan e Colin Arthur, responsável pela maquiagem.
Curiosamente, a fantástica jaqueta que Myrella aparece usando nessa fotografia havia vindo de outra produção para televisão na qual ela trabalhava naquele período.
Uma das vantagens de trabalhar com figurino, aparentemente, era conseguir ficar com algumas das melhores roupas.
Outra fotografia reúne Babette Kirchhoff, Natja Brunckhorst, Colin Arthur e Myrella Mondriaan.
Há ainda uma imagem particularmente interessante de uma reunião de figurino com Uli Edel, o diretor de fotografia Jürgen Jürges e Myrella Mondriaan.
Mondriaan não conseguia mais se lembrar exatamente de quem era o ator que estavam discutindo naquele momento, mas levantou uma possibilidade curiosa: poderia ter sido a escolha original para interpretar Detlef.
Segundo sua lembrança, tratava-se de um verdadeiro usuário de drogas e sua participação teria sido considerada arriscada demais para a produção.
A própria Myrella tratou essa identificação como uma possibilidade, portanto não dá para afirmar que o homem da fotografia realmente tenha sido o primeiro escolhido para o papel.
Em outra imagem aparecem Myrella, Colin Arthur, Uli Edel e Natja Brunckhorst, fotografada de costas.
Talvez o mais interessante nessas histórias seja perceber quanto trabalho existiu para fazer com que o figurino de Christiane F. parecesse não ter trabalho nenhum.
Não vemos roupas impecavelmente escolhidas para destacar personagens de cinema. Vemos adolescentes usando jeans, camisetas, jaquetas encontradas em lojas de segunda mão e peças emprestadas de pessoas reais.
Isso combina perfeitamente com a maneira como Uli Edel retratou Berlim Ocidental e a Bahnhof Zoo: existe uma tentativa constante de apagar a distância entre atores e pessoas reais, entre cenário e cidade, entre figurino e roupa cotidiana.
E talvez seja justamente por isso que, mais de quarenta anos depois, o visual de Natja Brunckhorst como Christiane F. continua tão reconhecível.
A jaqueta de Bowie, o jeans, as camisetas, o cabelo avermelhado e desbotado não parecem uma reconstrução artificial da juventude berlinense dos anos 1970.
Parecem roupas que Christiane poderia realmente ter tirado do armário naquela manhã.
Fonte: de.paperblog.com
E existe uma boa razão para isso: boa parte daquele guarda-roupa não veio de grandes marcas ou de um departamento de figurino cheio de peças produzidas especialmente para o cinema.
Muitas das roupas vieram literalmente do armário da figurinista Myrella Mondriaan, de seus amigos e familiares e de lojas de artigos usados de Berlim.
Anos depois das filmagens, Myrella compartilhou fotografias e algumas histórias dos bastidores de Christiane F., revelando detalhes curiosíssimos sobre a criação do figurino de Natja Brunckhorst e dos outros personagens.
Quem é Myrella Mondriaan, figurinista de Christiane F.?
Myrella Mondriaan foi responsável pelo figurino de "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída" (Wir Kinder vom Bahnhof Zoo), trabalhando em conjunto com a equipe comandada pelo diretor Uli Edel.
Na época das filmagens, Mondriaan também trabalhava para a Schaubühne, em Berlim.
Apesar de ser responsável pelos figurinos, ela não tinha liberdade absoluta sobre as roupas que apareciam diante das câmeras: segundo suas lembranças, Uli Edel tinha a palavra final sobre os figurinos, e nem sempre os dois concordavam com as escolhas.
O resultado, entretanto, acabou se tornando uma parte importantíssima da identidade visual do filme.
As roupas de Christiane F. vieram de brechós, amigos e até do armário da figurinista
Uma das coisas mais interessantes reveladas por Myrella é justamente a origem das roupas.
Em vez de criar um guarda-roupa excessivamente elaborado para os personagens, muitas peças utilizadas no filme vieram do próprio armário de Myrella Mondriaan, de amigos e de familiares.
Outras foram encontradas em lojas de artigos usados e brechós de Berlim.
Essa mistura provavelmente ajudou a produzir uma das maiores qualidades do figurino de Christiane F.: as roupas não parecem figurinos.
Christiane e seus amigos parecem realmente adolescentes que saíram pelas ruas de Berlim usando aquilo que tinham no armário — às vezes repetindo peças, combinando roupas de maneira imperfeita e usando casacos grandes demais.
É justamente essa falta de aparência "produzida" que torna o visual do filme tão convincente.
A famosa jaqueta de David Bowie foi feita por Myrella Mondriaan
Entre as peças encontradas em lojas de segunda mão estava uma das mais reconhecíveis do filme: a jaqueta de David Bowie usada por Christiane.
Segundo Mondriaan, a peça veio de uma dessas lojas sociais de Berlim e foi ela própria quem aplicou as letras na jaqueta.
É um detalhe pequeno, mas fascinante considerando a importância de David Bowie na história de Christiane F. e no próprio filme.
Décadas depois, aquela simples jaqueta customizada se tornou uma das peças mais imediatamente associadas ao visual de Natja Brunckhorst como Christiane.
E pensar que ela começou como uma roupa usada encontrada em Berlim.
Natja Brunckhorst era tão pequena que o figurino precisou ser adaptado
Vestir Natja Brunckhorst, que tinha apenas 13 anos durante as filmagens, apresentou outro problema.
Myrella recorda que Natja era extremamente pequena e magra, o que dificultava fazer determinadas roupas assentarem da maneira desejada diante das câmeras.
Segundo a figurinista, a equipe chegou a produzir pequenas próteses de silicone para preencher algumas das camisetas usadas pela atriz.
Ela contou:
"Natja era tão pequena que tivemos que fazer seios falsos de silicone para ela, para que conseguisse preencher um pouco melhor as camisetas. Ela era tão magra que muitas vezes precisava usar roupa térmica por baixo do jeans."
A roupa térmica tinha também uma função bastante prática.
As filmagens aconteceram em Berlim em novembro de 1980 — definitivamente não a época mais agradável do ano para passar horas gravando cenas externas usando apenas jeans e roupas relativamente leves.
O cabelo de Christiane F. também ajudava a mostrar a passagem do tempo
Outro detalhe visual muito interessante estava no cabelo de Christiane.
Para ajudar a representar a passagem do tempo ao longo da história, o cabelo de Natja Brunckhorst era trabalhado constantemente durante as filmagens.
Segundo Myrella, o cabelo de Natja recebia diariamente aplicações de spray colorido.
O efeito propositalmente opaco e desbotado que pode ser percebido em algumas cenas é consequência desse processo.
Isso ajuda a explicar por que a cor e a aparência do cabelo de Christiane parecem mudar gradualmente durante o filme — especialmente aquele tom avermelhado e desgastado que acabou se tornando uma das características mais reconhecíveis da personagem.
Fotos raras dos bastidores de Christiane F.
As fotografias guardadas por Myrella Mondriaan também mostram alguns encontros interessantes da equipe durante a produção.
Em uma delas aparecem Myrella Mondriaan e Colin Arthur, responsável pela maquiagem.
Curiosamente, a fantástica jaqueta que Myrella aparece usando nessa fotografia havia vindo de outra produção para televisão na qual ela trabalhava naquele período.
Uma das vantagens de trabalhar com figurino, aparentemente, era conseguir ficar com algumas das melhores roupas.
Outra fotografia reúne Babette Kirchhoff, Natja Brunckhorst, Colin Arthur e Myrella Mondriaan.
Há ainda uma imagem particularmente interessante de uma reunião de figurino com Uli Edel, o diretor de fotografia Jürgen Jürges e Myrella Mondriaan.
Mondriaan não conseguia mais se lembrar exatamente de quem era o ator que estavam discutindo naquele momento, mas levantou uma possibilidade curiosa: poderia ter sido a escolha original para interpretar Detlef.
Segundo sua lembrança, tratava-se de um verdadeiro usuário de drogas e sua participação teria sido considerada arriscada demais para a produção.
A própria Myrella tratou essa identificação como uma possibilidade, portanto não dá para afirmar que o homem da fotografia realmente tenha sido o primeiro escolhido para o papel.
Em outra imagem aparecem Myrella, Colin Arthur, Uli Edel e Natja Brunckhorst, fotografada de costas.
Um figurino que não parece figurino
Talvez o mais interessante nessas histórias seja perceber quanto trabalho existiu para fazer com que o figurino de Christiane F. parecesse não ter trabalho nenhum.
Não vemos roupas impecavelmente escolhidas para destacar personagens de cinema. Vemos adolescentes usando jeans, camisetas, jaquetas encontradas em lojas de segunda mão e peças emprestadas de pessoas reais.
Isso combina perfeitamente com a maneira como Uli Edel retratou Berlim Ocidental e a Bahnhof Zoo: existe uma tentativa constante de apagar a distância entre atores e pessoas reais, entre cenário e cidade, entre figurino e roupa cotidiana.
E talvez seja justamente por isso que, mais de quarenta anos depois, o visual de Natja Brunckhorst como Christiane F. continua tão reconhecível.
A jaqueta de Bowie, o jeans, as camisetas, o cabelo avermelhado e desbotado não parecem uma reconstrução artificial da juventude berlinense dos anos 1970.
Parecem roupas que Christiane poderia realmente ter tirado do armário naquela manhã.
Fonte: de.paperblog.com












