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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Conjuntos residenciais



O resultado da industrialização acelerada pela qual a Alemanha passou da década de 50 à de 70 foi a construção de muitos conjuntos residenciais como o Gropius, para abrigar os trabalhadores. Os efeitos sociais disso podem ser compreendidos com ajuda do seguinte trecho do livro:

"Os desertos de concreto de muitas das 'zonas de saneamento' modernas encerram as pessoas em um ambiente totalmente artificial, frio, mecânico, que agrava em proporções catastróficas todos os conflitos que as famílias já tinham antes de nele se instalarem. O conjunto residencial Gropius é apenas um exemplo: há muitos desses grandes conjuntos residenciais construídos unicamente dentro de uma perspectiva funcional, técnica, esquecidas as necessidades afetivas dos seres humanos. Transformam-se em um excelente meio para o desenvolvimento de problemas psicológicos. Não é por acaso que os casos mais graves de alcoolismo e toxicomania juvenil aí estão implantados. Além disso, as escolas são semelhantes a grandes fábricas, onde reina o anonimato, a solidão moral e uma concorrência desenfreada e brutal."


Horst-Eberhard Richter, psicanalista e autor do prefácio de "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..."


Saiba mais sobre o Conjunto Gropius
Conheça o edifício e a rua Joachim-Gottschalk-Weg, onde Christiane F. viveu.
A escola de Christiane F.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A sociedade de Christiane F.

Antes mesmo que Christiane F. fosse nascida, criaram-se as bases do que influenciaria seu destino e o de milhares de outros jovens toxicômanos na Berlim da década de 70.

Christiane F. aos 15 anos de idade


Recém saída de um complicado momento político, em 1950, uma Alemanha enfraquecida se dividia em duas. A Oriental era apoiada pela União Soviética sob regime comunista; a Ocidental, bloqueada pela União Soviética, mantinha laços com grandes potências capitalistas, como os Estados Unidos, que após a Segunda Guerra Mundial despontaram como um Estado superior a qualquer outro em recursos materiais, financeiros e tecnológicos. Assim, a Alemanha Ocidental se desenvolvia industrialmente a plenos pulmões.

Devido a estas diferenças entre as duas Alemanhas, não tardaria até que fosse construído o Muro de Berlim, em 1961, que separava geograficamente as duas metades e se localizava ao lado do conjunto Gropius (o Gropiusstadt pertencia à margem ocidental do muro). Este período de desenvolvimento industrial da Alemanha Ocidental ficou conhecido como "Milagre Econômico" e se estenderia durante cerca de vinte anos. Berlim era uma vitrine do capitalismo.


Saiba mais sobre o Conjunto Gropius
Conheça o edifício e a rua Joachim-Gottschalk-Weg, onde Christiane F. viveu.


No entanto, um "Milagre Econômico" como este costuma vir acompanhado de muitas adversidades, e o caso alemão não foi diferente. Embora tenha ocasionado melhora no poder aquisitivo do povo, a industrialização deu origem também a certo grau de crise social, por fatores como o crescimento desordenado da população, o aumento da quantidade de imigrantes estrangeiros (se lembra dos "estrangeiros sujos" aos quais Christiane F. tanto se refere no livro?), que buscavam melhores oportunidades em uma Alemanha economicamente promissora, concentração da renda e da riqueza, aumento da competitividade no mercado de trabalho, etc.

Estes fatores seriam suficientes para abalar mesmo a mais sólida das estruturas sociais. Foi neste ambiente que Christiane F. e seus amigos cresceram.
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