Christiane aos 15 anos, em 1978
Susanne Kuhn, mais conhecida como
Kessi, é a primeira amiga importante de
Christiane F. que aparece no livro. Depois vieram
Detlef,
Babsi,
Stella, as
Tinas, mas elas são assunto para posts futuros.
Christiane e
Kessi se conheceram no colégio
Helmholtz-Oberschule Gesamtschule, e foi com ela que
Christiane começou a frequentar o
Centro de Jovens e depois a discoteca
Sound. Foi com ela também que
Christiane começou a se drogar.
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Leia mais e veja fotos de Kessi
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Fotos do colégio onde Christiane F. e Kessi estudaram
Christiane F. tinha então, onze ou doze anos de idade. Esta fase marca a transição da infância para a adolescência e representa o início de um busca por emancipação e individualidade. É neste momento que a criança passa por uma série de alterações psicológicas onde começa a dar mais importância às amizades, se agrupa com amigos que possuem algo em comum e passa a ser mais reflexiva e questionadora quanto aos modelos adquiridos pelos pais. São os primeiros passos da busca pela independência e da formação de sua personalidade.
Até então,
Christiane F. sofria em casa com um pai negligente, irresponsável e violento. Por vezes apanhava ou levava sermões por pequenas travessuras ou acidentes. Dessa forma, em seu ambiente familiar, é provável se sentisse, inconscientemente, subjugada e desrespeitada.
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Saiba mais sobre o pai de Christiane F.
Por este motivo,
Christiane F. acabou por desenvolver grande necessidade de se afirmar: já aos oito anos de idade, como mecanismo de defesa,
Christiane se impunha e assumia posturas de comando sobre as outras crianças, como podemos ver no seguinte trecho do livro "
Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída...", sobre as brincadeiras nos elevadores do
Conjunto Gropius:
"(...) brincar com os elevadores. A primeira coisa a fazer, evidentemente, era amolar uma outra criança. Pegávamos uma delas, metíamo-la à força dentro do elevador e apertávamos todos os botões, enquan to impedíamos o outro elevador de funcionar."
Por vezes, a própria
Christiane foi a vítima desta brincadeira, que a colocava em condição de fraqueza, até que aprendeu a se defender, assumiu posição de poder e passou a fazer o mesmo com outras crianças menores e mais ingênuas.
Em outro trecho,
Christiane demonstra o controle que ela e uma amiga exerciam sobre
Anette, sua irmã mais nova:
"Nós lhe dávamos ordens: lavar a louça, tirar o pó, enfim, fazer todo o serviço doméstico de que nossos pais nos haviam encarregado. Depois disso, pegávamos nossas bonecas, trancávamos minha irmãzinha no apartamento e íamos passear. Nós só a deixávamos livre quando ela terminava todo o trabalho."
Em várias outras partes do livro, já aos doze anos de idade,
Christiane demonstra estar acostumada a se afirmar perante os colegas de classe e professores, muitas vezes agredindo-os ou perturbando as aulas. Queria ser poderosa como seu pai e exercer controle sobre as pessoas.
Christiane amava o poder e foi, justamente, o poder de
Kessi que despertou sua atenção. No livro, é possível perceber a grande admiração que sente por ela desde o momento em que se conhecem, afinal de contas,
Kessi já tinha seios de verdade e parecia ser dois anos mais novas do que os outros. Além disso, ela tinha um namorado, se comportava como a líder da turma e todos a respeitavam.
Christiane queria ser sua amiga.
"Meu dia de glória foi aquele em que Kessi me autorizou, finalmente, a sentar-me ao seu lado."
Christiane tinha por objetivo agradar
Kessi, e é natural que copiasse o comportamento da amiga e fizesse tudo o que ela sugerisse. Implorou para que sua mãe lhe comprasse um sutiã, começou a usar maquiagem e a matar aula. Passou a frequentar, também, o
Centro de Jovens, aonde conheceu vários outros jovens tão descolados e poderosos quanto
Kessi.
Christiane queria ser como eles.
Um dia, apareceram no
Centro com um enorme cachimbo contendo
haxixe, um derivado da
maconha. Acenderam e o cachimbo começou a circular. Todos tragaram, inclusive
Kessi. Na primeira vez, assustada,
Christiane recusou. No entanto, se quisesse fazer parte do grupo, não poderia continuar recusando por muito tempo.